A Venezuela está montando um plano de defesa baseado em táticas de guerrilha e sabotagem para resistir a um eventual ataque militar dos Estados Unidos. Segundo documentos e fontes ouvidas, o governo de Nicolás Maduro vem mobilizando armas, muitas delas de fabricação russa e com décadas de uso, e organizando pequenas unidades militares espalhadas por mais de 280 pontos do país.
O regime batizou essa estratégia de “resistência prolongada”, uma forma de guerra irregular que seria ativada em caso de ofensiva aérea ou terrestre. A medida, de acordo com analistas e fontes militares, reflete a escassez de recursos e o enfraquecimento das Forças Armadas venezuelanas, que enfrentam falta de treinamento, baixos salários e equipamentos deteriorados.
De acordo com duas fontes ligadas à segurança do Estado, alguns comandantes chegaram a negociar alimentos com produtores locais para sustentar as tropas, devido à escassez de suprimentos.
O plano militar teria duas frentes principais. A primeira envolve as ações de guerrilha, com sabotagens e ataques pontuais. A segunda, chamada internamente de “anarquização”, consistiria no uso dos serviços de inteligência e de milícias aliadas ao partido governista para provocar desordem nas ruas, especialmente em Caracas, tornando o país ingovernável para qualquer força estrangeira.
Fontes ouvidas pela Reuters afirmam que as duas táticas seriam complementares, embora não esteja claro em que momento o governo poderia colocá-las em prática.
Apesar do discurso oficial de prontidão, integrantes das próprias forças de defesa admitem as limitações do país. “Não duraríamos nem duas horas em uma guerra convencional”, disse uma fonte próxima ao governo. Outra afirmou que a Venezuela “não está preparada nem profissionalizada” para enfrentar um exército como o dos Estados Unidos.
A tensão entre Caracas e Washington aumentou após declarações do presidente americano Donald Trump, que sugeriu a possibilidade de operações terrestres na Venezuela, embora depois tenha negado tal intenção. Maduro, no entanto, acusa os EUA de tentar destituí-lo e garante que o país resistirá “a qualquer agressão externa”.
O Ministério das Comunicações da Venezuela, responsável por responder às consultas da imprensa, não se pronunciou sobre o caso.
Enquanto isso, as forças venezuelanas seguem em alerta e milícias civis foram mobilizadas em resposta ao envio de navios de guerra norte-americanos para o Caribe.
Fontes internas reconhecem, porém, que qualquer resistência teria poucas chances de sucesso diante da superioridade militar dos Estados Unidos.


