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Meio Ambiente

O que está por trás da fumaça que voltou a encobrir Manaus?

Queimadas e incêndios em áreas de descarte de resíduos contribuem para a poluição; capital registrou qualidade do ar entre muito ruim e péssima
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O céu acinzentado, a visibilidade reduzida e o cheiro de queimado voltaram a fazer parte da paisagem de Manaus nesta quinta-feira (8). Mas o problema vai além da fumaça que pode ser vista: o ar respirado pela população apresentou níveis elevados de poluentes, capazes de provocar efeitos na saúde.

De acordo com o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (App Selva), diferentes áreas da capital amanheceram com a qualidade do ar classificada entre “muito ruim” e “péssima”. A condição já vinha sendo registrada desde a noite de quarta-feira (7).

Por trás desse cenário estão focos de queimadas espalhados pelo Amazonas e incêndios em áreas de descarte de resíduos, incluindo uma ocorrência de grandes proporções no Distrito Industrial 2, na Zona Leste.

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A fumaça vem de Manaus ou do interior?

A resposta envolve diferentes fontes de poluição.

Na quarta-feira (7), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) identificou 749 focos de calor no Amazonas, dos quais apenas dois estavam localizados em Manaus.

Entre os municípios com registros de queimadas estão Itacoatiara, Careiro da Várzea, Manaquiri e Autazes.

A fumaça produzida em outras localidades pode ser transportada pelo vento e alcançar a capital, dependendo das condições atmosféricas.

Ao mesmo tempo, incêndios registrados dentro da própria cidade também contribuem para o problema.

Um deles ocorreu em um terreno de descarte de resíduos no Distrito Industrial 2, onde a fiscalização ambiental identificou materiais como pneus, plásticos e resíduos de óleo e tinta.

A empresa Auto Posto Lima, responsável pela área, recebeu uma multa administrativa de R$ 5,555 milhões, aplicada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). A empresa informou que está colaborando com a investigação das causas do incêndio.

O que os números dizem sobre o ar de Manaus?

Na noite de quarta-feira, a concentração média de partículas finas PM2,5 chegou a 114,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³), índice classificado como muito ruim.

Em pontos específicos de monitoramento, as medições ultrapassaram 300 µg/m³, enquanto registros na região metropolitana se aproximaram de 500 µg/m³.

Esses valores representam concentrações de material particulado em determinados locais e horários, não uma média uniforme para toda a cidade.

O PM2,5 é especialmente preocupante porque suas partículas microscópicas conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório e alcançar os alvéolos pulmonares.

Por isso, mesmo quando a fumaça parece menos intensa visualmente, a concentração de poluentes continua sendo um indicador importante para avaliar a exposição.

O que acontece com o corpo quando respiramos esse ar?

A exposição à fumaça pode provocar efeitos que vão de irritações passageiras ao agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares.

Entre os sintomas estão ardência nos olhos, tosse, dor de garganta, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar.

O risco é maior para crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, doenças pulmonares ou cardíacas.

A exposição repetida à poluição também merece atenção, especialmente quando a qualidade do ar permanece comprometida por vários dias.

Vale a pena fazer exercícios ao ar livre?

Durante episódios de qualidade do ar muito ruim ou péssima, a recomendação é evitar caminhadas, corridas, ciclismo e outras atividades físicas ao ar livre.

Isso acontece porque o esforço aumenta a frequência e a profundidade da respiração, fazendo com que uma quantidade maior de ar poluído entre nos pulmões.

Para reduzir a exposição, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) também recomenda manter a hidratação e diminuir o tempo de permanência em locais com fumaça.

Quando sair for inevitável, máscaras PFF2 ou N95 bem ajustadas podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas, embora não filtrem todos os gases presentes na fumaça.

Quando a fumaça deixa de ser apenas um incômodo?

Sintomas como irritação nos olhos e desconforto na garganta podem surgir após a exposição à poluição.

Entretanto, falta de ar intensa, dor no peito, dificuldade para respirar ou agravamento de crises de asma exigem atenção imediata.

Em situações leves e persistentes, a população pode procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Nos casos graves, a orientação é buscar atendimento de urgência.

O Samu atende emergências pelo número 192.

Como acompanhar a qualidade do ar?

Os moradores podem consultar as condições atmosféricas pelo App Selva, que disponibiliza dados sobre qualidade do ar, clima e focos de queimadas.

Denúncias de queimadas irregulares também podem ser feitas à Guarda Municipal pelo telefone 153.

Enquanto as condições atmosféricas permanecerem desfavoráveis, acompanhar os indicadores de poluição e reduzir a exposição à fumaça são medidas importantes para proteger a saúde.

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