Documentos judiciais federais e estaduais o acusam de tentativa de homicídio, crime de ódio e agressão com uso de artefato incendiário.
Mohamed Sabry Soliman, 45 anos, acusado de lançar bombas caseiras em um comício pró-Israel no domingo (2), ferindo 12 pessoas, passou um ano planejando o ataque e optou por coquetéis molotov porque a situação imigratória o impedia de comprar armas, revelaram promotores nesta segunda-feira (3).
Em depoimentos à polícia e ao FBI, Soliman admitiu que queria “matar todos os sionistas”, mas adiou o ataque em Boulder até que a filha concluísse o ensino médio. Documentos judiciais federais e estaduais o acusam de tentativa de homicídio, crime de ódio e agressão com uso de artefato incendiário.
Segundo as investigações, ele aprendeu a manusear armas em um curso, mas, sem acesso legal a elas, recorreu a coquetéis molotov — técnica que teria aprendido no YouTube.
Todd Lyons, diretor interino do ICE (Imigração e Alfândega dos EUA), confirmou que Soliman entrou nos EUA com visto de turista vencido, tinha permissão de trabalho expirada e solicitou asilo em setembro de 2022, mas permanecia em situação irregular
Autoridades do governo Trump usaram o caso para reforçar discursos contra a imigração ilegal. O senador Marco Rubio postou no X: “Sob o governo Trump, encontraremos terroristas, revogaremos seus vistos e os deportaremos”.
O ataque: alvo idosos em evento judaico
O ataque ocorreu no Pearl Street Mall, área comercial próxima à Universidade do Colorado, durante um evento da Run for Their Lives — organização que alerta sobre reféns do Hamas. Entre as vítimas, muitas eram idosas.
Na cena, a polícia encontrou:
- 16 molotovs com gasolina;
- Lata de combustível no carro do suspeito;
- Spray de ervas adaptado como lança-chamas.
Um vídeo nas redes sociais mostra Soliman “sem camisa, agitando os artefatos” durante o ataque.

Repercussão e acusações
A procuradora-geral Pam Bondi classificou o caso como “ataque terrorista antissemita”. Soliman enfrenta prisão perpétua (crime federal de ódio) e até 384 anos (tentativas de homicídio no tribunal estadual).
Na audiência desta segunda, ele apareceu por vídeo da cadeia, vestindo macacão laranja, e respondeu apenas “sim” a perguntas técnicas. A defesa, liderada pela advogada Kathryn Herold, adiou argumentos sobre condições de fiança.
Contexto: onda de violência antissemita
O caso é o mais recente em uma série de ataques nos EUA ligados ao conflito Israel-Hamas, incluindo o tiroteio em frente ao Museu Judaico de Washington em maio, que matou dois diplomatas israelenses.
O Departamento de Segurança Nacional reforçou que Soliman “está ilegalmente no país” e deve responder criminalmente antes de eventual deportação.
Investigação em andamento: Autoridades buscam determinar se o suspeito agiu sozinho ou tinha cumplicidade.


