A Netflix movimentou o mundo do entretenimento ao fechar um acordo de US$ 82,7 bilhões para adquirir o estúdio Warner Bros., seus ativos cinematográficos, seu acervo da HBO e também o serviço de streaming. A compra, a maior da história do setor, supera concorrentes como Paramount e Comcast, consolidando a Netflix como o maior conglomerado audiovisual da atualidade.
A fusão deve ser concluída entre 12 e 18 meses, mas já levanta a principal pergunta: quais clássicos passam, agora, a fazer parte do universo Netflix?
Para entender o peso dessa aquisição, é preciso revisitar os 102 anos de história da Warner Bros., um estúdio que moldou gerações, revolucionou o cinema e construiu algumas das maiores franquias já feitas.
Os primórdios: a revolução do som e os primeiros grandes sucessos
Fundada em 1923 pelos irmãos Harry, Albert, Samuel e Jack Warner, a Warner Bros. surgiu na era do cinema mudo. Seu primeiro filme, Main Street, marcou o início de uma escalada que mudaria Hollywood. Em poucos anos, os irmãos investiram em tecnologias inovadoras, como o vitaphone, responsável por O Cantor de Jazz (1927), o primeiro filme com diálogos sincronizados da história.
Outros marcos dos anos 1920 incluem o musical On With the Show! (1929), primeiro filme totalmente falado em cores da companhia.
Anos 1930: a explosão criativa e o nascimento dos Looney Tunes
Nos anos 1930, a Warner já produzia cerca de 100 filmes por ano e controlava centenas de cinemas nos EUA. Surgem clássicos como O Inimigo Público (1931) e os lendários Looney Tunes, criados para competir diretamente com Walt Disney.
A empresa também adquiriu direitos sobre produções eternas, como O Mágico de Oz e E o Vento Levou (ambos de 1939).
Décadas seguintes: o auge dourado do cinema
Durante e após a Segunda Guerra Mundial, a Warner lançou títulos que se tornariam eternos, como:
-
Casablanca (1943)
-
Uma Rua Chamada Pecado (1951)
-
Juventude Transviada (1955)
-
Minha Bela Dama (1964)
-
Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (1966)
Ao mesmo tempo, a Warner expandia para a TV, produzindo clássicos como Cheyenne, Maverick e 77 Sunset Strip.
Crimes, terror e revolução cultural
A partir dos anos 1960, o estúdio consolidou produções de impacto como:
-
Bonnie e Clyde (1967)
-
O Exorcista (1973)
-
Blade Runner (1982)
-
A Cor Púrpura (1985)
E ainda criou franquias marcantes como Dirty Harry, lançada em 1971.
A era dos super-heróis e dos universos expandidos
Com a aquisição da DC Comics, a empresa iniciou seu domínio no gênero de super-heróis:
-
Superman (1978)
-
Batman (1989)
-
Suas sequências, reboots e universos modernizados, incluindo a atual reformulação liderada por James Gunn.
O salto para os anos 2000: de Matrix a Harry Potter
A Warner trouxe ao mundo:
-
Matrix (1999)
-
Pokémon: O Filme (1999)
-
Toda a saga Harry Potter (2001–2011), uma das franquias mais rentáveis da história
-
Produções televisivas icônicas da HBO, como Game of Thrones, The Sopranos, Sex and the City e Succession
E agora? O que passa a pertencer à Netflix?
A aquisição inclui todo o acervo cinematográfico e televisivo da Warner Bros., além dos conteúdos da HBO e das produções mais recentes.
Ou seja, passam a integrar o ecossistema Netflix:
✔ Todos os clássicos desde 1923
✔ O catálogo completo do Universo DC (antigo e atual)
✔ A franquia Matrix
✔ A franquia Harry Potter
✔ Obras-primas como Casablanca, Blade Runner, O Exorcista e Juventude Transviada
✔ Animações como Looney Tunes
✔ Séries da HBO: Game of Thrones, The Sopranos, Euphoria, True Detective, Succession, entre muitas outras
✔ Os lançamentos recentes, como A Minecraft Movie (maior bilheteria doméstica do ano) e o sucesso Sinners
Na prática, a Netflix agora controla um século de cinema, franquias bilionárias e algumas das produções mais aclamadas da história.
E o impacto dessa fusão no futuro do entretenimento, e no cinema tradicional, promete ser tão grandioso quanto os filmes que agora compõem esse catálogo histórico.


