Ação atingiu o sistema eletrônico de arquivamento de processos, usado por tribunais de diversos estados; FBI e Departamento de Justiça ainda não se pronunciaram
O sistema eletrônico de arquivamento de processos do judiciário federal dos Estados Unidos foi alvo de um ataque cibernético de grandes proporções, ocorrido nesta quarta-feira (6). A ação comprometeu dados confidenciais de tribunais em diversos estados, segundo reportagem publicada pelo jornal Politico.
Entre os sistemas afetados estão o CM/ECF (Gerenciamento de Casos e Arquivamento Eletrônico de Casos), utilizado por advogados e profissionais do direito para enviar e gerenciar documentos processuais, e o PACER (Acesso Público aos Registros Eletrônicos do Tribunal), plataforma que oferece ao público acesso, pago, a registros judiciais.
O ataque teria violado informações sensíveis, como mandados de prisão e acusações sob sigilo judicial. As autoridades ainda não divulgaram o número exato de tribunais afetados.
Procurados pela imprensa, o Escritório Administrativo dos Tribunais dos EUA e a Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) não comentaram o caso até o momento. O FBI encaminhou os questionamentos ao Departamento de Justiça, que também não se manifestou.
Sistema visado por espiões estrangeiros
O sistema de gerenciamento de casos federais é considerado há anos um alvo estratégico para espiões estrangeiros. Em 2021, o Escritório Administrativo dos Tribunais já havia implementado novas medidas de segurança após detectar um possível comprometimento semelhante.
Em 2022, o então presidente do Comitê Judiciário da Câmara, Jerry Nadler, revelou que três “agentes estrangeiros hostis” teriam invadido o sistema judicial, em uma violação de “amplitude e escopo surpreendentes”.
Apesar dos alertas, o sistema continua vulnerável. Segundo a juíza Amy St. Eve, do Tribunal de Circuito dos EUA, anos de subinvestimento e infraestrutura tecnológica ultrapassada deixaram os sistemas do judiciário federal expostos a riscos significativos.
“Muitos desses sistemas não atendem mais aos padrões modernos de desenvolvimento ou segurança. Eles são caros, difíceis de manter e estão sob constante ameaça de falhas ou ataques”, alertou a magistrada durante audiência no Congresso neste ano.


