Após cinco anos sem vencer, bumbá vermelho encanta jurados ao longo das três noites e supera o rival Caprichoso, que não aceitou bem o resultado da apuração
O Boi Garantido é o novo campeão do 58º Festival Folclórico de Parintins. Com o enredo “Boi do Povo, Boi do Povão”, o boi da Baixa do São José brilhou nas três noites de disputa, realizadas entre os dias 27 e 29 de junho, e encerrou um jejum de seis anos sem conquistas, somando agora 33 títulos na história da competição.
A apuração, realizada na tarde de segunda-feira (30), no Bumbódromo, confirmou a superioridade do Garantido, que foi melhor avaliado em todas as noites da competição e fechou o placar com uma pontuação total de 1.259,1 pontos, contra 1.258,6 do Caprichoso.
A diferença foi apertada, apenas meio ponto, mas suficiente para consagrar o boi vermelho, que alcançou pontuações superiores nas três noites, conforme os dados divulgados pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas. Veja o desempenho:
| Boi | Noite 1 | Noite 2 | Noite 3 | Total |
|---|---|---|---|---|
| Caprichoso | 419,6 | 419,3 | 419,7 | 1.258,6 |
| Garantido | 419,8 | 419,5 | 419,8 | 1.259,1 |
Foram analisados 21 quesitos, distribuídos em três blocos temáticos que avaliaram desde o ritual indígena até alegorias, músicas e itens individuais. A consistência técnica do Garantido fez a diferença em uma disputa acirrada até o último envelope.
UM RETORNO DE FORÇA E CULTURA
Mesmo sendo o maior vencedor da história do festival, o Garantido não conquistava um título desde 2019. A vitória de 2025 simboliza um reencontro com a essência popular do boi vermelho e com a torcida apaixonada, que lotou as arquibancadas do Bumbódromo.
Como foram as apresentações do Garantido:
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Noite 1 – “O Ecoar das Vozes da Floresta”
A lenda “Tapyra’yawara” e o ritual “Moyngo, a Iniciação Maragareum” abriram o espetáculo com força visual e conexão com os povos originários. -
Noite 2 – “Garantido, Patrimônio do Povo”
O “Ritual Ajié”, comandado pelo pajé Adriano Paketá, foi o ápice de uma noite que exaltou raízes afro-brasileiras e indígenas com forte carga emocional. -
Noite 3 – “Garantido, Boi do Brasil”
A despedida do tripa Denildo Piçanã, homenagens ao compositor Chico da Silva e a lenda “A Deusa das Águas” fecharam o ciclo com beleza e emoção.
INSATISFAÇÃO DO CAPRICHOSO COM RESULTADO
O Caprichoso, que lutava pelo tetracampeonato, não reagiu bem à derrota. Mesmo com apresentações marcadas por inovação tecnológica e impacto visual, o boi azul acabou superado pela proposta mais tradicional e emocional do Garantido.
Durante a apuração, membros da diretoria e da equipe azul se retiraram discretamente do local. O presidente do boi Caprichoso, Rossy Amoedo, chegou a criticar o corpo de jurados, mencionando possíveis vínculos de alguns avaliadores com o boi rival e utilizando a expressão “jurados comprados”. Segundo ele, a diretoria havia solicitado anteriormente a substituição de alguns desses nomes.
Parte da torcida azul também demonstrou insatisfação, com muitos deixando o Bumbódromo antes da divulgação do resultado final. Apesar disso, a apuração transcorreu sem incidentes.

CELEBRAÇÃO NAS RUAS DE PARINTINS
Com a vitória, o Garantido amplia sua vantagem histórica e passa a ter 33 títulos, contra 27 do Caprichoso. O clima de comemoração tomou conta da cidade, com ruas, barcos e becos pintados de vermelho e branco.
“Esse título é o grito que ficou preso por seis anos. Voltamos para mostrar que o boi do povo ainda vive forte no coração da Amazônia”, disse um dos integrantes da comissão técnica do Garantido.
O Festival de Parintins 2025 se despede com emoção, protestos, reencontros e a reafirmação de que, na arena, o espetáculo popular segue vivo, grandioso e vibrante — como deve ser.


