Ato principal aconteceu na Avenida Paulista; Bolsonaro não participou por restrições do STF. Protestos foram impulsionados por sanções dos EUA ao ministro
Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) saíram às ruas neste domingo (3) em pelo menos 20 capitais brasileiras para protestar contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os atos, realizados também em cidades do interior, foram convocados sob o lema “Reaja, Brasil”, utilizado por parlamentares do PL como palavra de ordem da mobilização.
O principal evento ocorreu na Avenida Paulista, em São Paulo, e foi organizado pelo pastor Silas Malafaia. A manifestação contou com dois trios elétricos e foi o oitavo ato nacional promovido por apoiadores do ex-presidente desde o fim de seu mandato, em 2022. Esta foi a primeira vez que Bolsonaro não compareceu presencialmente, devido a medidas cautelares impostas pelo STF, ele está proibido de sair de casa aos fins de semana e usa tornozeleira eletrônica. Em mensagem enviada por aplicativo, agradeceu aos participantes: “Obrigado a todos, pela nossa liberdade”.

Outras lideranças políticas participaram dos atos em diferentes cidades. Michelle Bolsonaro marcou presença em Belém (PA), ao lado de parlamentares locais. No Rio de Janeiro, a manifestação foi realizada na orla de Copacabana e teve a presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do governador Cláudio Castro (PL). Durante o ato, Flávio colocou o pai no viva-voz para se dirigir aos manifestantes. Já o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) puxou gritos de “Magnitsky” e defendeu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro.
Além das críticas ao STF e pedidos de anistia, os manifestantes direcionaram ataques ao presidente Lula e a governadores alinhados à esquerda, como Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, e Helder Barbalho (MDB), do Pará. Algumas faixas estavam escritas em inglês, com frases como “Leave Bolsonaro alone” (“Deixem Bolsonaro em paz”) e “Thank you, Trump” (“Obrigado, Trump”), em referência às recentes sanções dos Estados Unidos contra o ministro Moraes, com base na Lei Magnitsky.
Na capital federal, os protestos se concentraram nas proximidades do Banco Central, com bandeiras do Brasil, dos EUA e de Israel. Parlamentares como Bia Kicis (PL-DF) e Izalci Lucas (PL-DF) discursaram sob forte calor.
Segundo aliados de Bolsonaro, a descentralização dos atos buscou compensar a ausência do ex-presidente e dar destaque a lideranças regionais. Apesar da mobilização, a adesão em algumas cidades ficou abaixo do esperado, o que, de acordo com organizadores, pode ser reflexo do desgaste político e da diminuição do engajamento popular.
Os atos aconteceram quatro dias após os EUA aplicarem sanções ao ministro Alexandre de Moraes, decisão anunciada pelo ex-presidente Donald Trump. Em resposta, Moraes classificou a medida como “covarde e traiçoeira” e acusou, sem citar nomes, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de “traição à pátria” por apoiar a iniciativa junto ao governo americano.


