Prédios da União Europeia e do British Council foram atingidos; líderes acusam Putin de minar esforços de paz
Kiev foi alvo de um dos maiores ataques aéreos russos desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, deixando ao menos 23 mortos, incluindo quatro crianças, e dezenas de feridos, segundo autoridades locais. O bombardeio ocorreu na madrugada de quinta-feira (28) e gerou forte reação internacional.
Ofensiva em larga escala
De acordo com a Força Aérea da Ucrânia, o Kremlin lançou 629 armas de ataque contra o país durante a noite, entre elas 598 drones e 31 mísseis. Segundo Yuriy Ihnat, chefe de comunicações da Força Aérea, trata-se de “um dos maiores ataques combinados” já registrados.
A ofensiva destruiu parte de um prédio de cinco andares no distrito de Darnytskyi, onde ocorreu a maioria das mortes. Entre as vítimas fatais estavam crianças de 2, 14 e 17 anos, segundo Tymur Tkachenko, chefe da Administração Militar de Kiev.
Prédios usados pela União Europeia e pelo British Council também foram danificados. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, acusou Moscou de violar diretamente a Convenção de Viena ao atacar instalações diplomáticas e pediu uma “condenação mundial”.
Reações internacionais
A ofensiva gerou forte indignação no Ocidente. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o episódio como “mais um lembrete sombrio do que está em jogo” e afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, precisa “sentar-se à mesa de negociações”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, acusou Putin de “matar crianças e civis” e de “sabotar as esperanças de paz”.
Nos Estados Unidos, a Casa Branca declarou que o presidente Donald Trump ficou “não feliz, mas não surpreso” com o ataque, reiterando que deseja o fim da guerra. Ainda assim, a secretária de imprensa Karoline Leavitt reforçou que tanto Putin quanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “devem querer que a guerra acabe”.
Cena de destruição em Kiev
Moradores relataram momentos de desespero durante os ataques. Vitaliy Protsiuk contou à CNN que sua esposa desapareceu após a explosão em seu prédio:
“Quando saí dos escombros, tudo estava coberto de poeira e fumaça. O telhado havia sumido e os andares estavam destruídos. Até agora, ela não foi encontrada.”
As sirenes de alerta aéreo permaneceram ativas por mais de nove horas, e milhares de pessoas se abrigaram nas estações de metrô durante a noite.
Autoridades locais declararam dia de luto oficial em Kiev nesta sexta-feira (29), com bandeiras a meio-mastro e cancelamento de eventos públicos.
Diplomacia em impasse
O ataque ocorre apenas duas semanas após Trump ter se reunido pessoalmente com Putin em uma tentativa de avançar nas negociações de paz. Contudo, não houve progresso, e um encontro direto entre Zelensky e o líder russo segue sem previsão.
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Enquanto isso, diplomatas ucranianos se reúnem com autoridades americanas em Nova York para discutir o futuro do conflito. Do outro lado, Putin deve viajar à China na próxima semana para participar de um desfile militar ao lado de aliados, como Kim Jong Un (Coreia do Norte), Aleksandar Vucic (Sérvia) e Robert Fico (Eslováquia).
Avanço russo no campo de batalha
Pesquisadores independentes confirmaram que tropas russas tomaram duas aldeias na região de Dnipropetrovsk nesta semana. Militares ucranianos, em menor número e com menos armamentos, enfrentam dificuldades para conter a pressão crescente de Moscou.
Zelensky acusou a Rússia de “escolher a balística em vez da mesa de negociações” e afirmou que o país vizinho “ainda não teme as consequências” da guerra.


