O governo brasileiro decidiu adotar cautela diante da possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Segundo relatos de bastidores do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva orientou ministros e integrantes do governo a evitar reações precipitadas e tratar o tema exclusivamente no âmbito diplomático.
A avaliação dentro do governo é de que o assunto não deve ser amplificado publicamente para não alimentar “balões de ensaio” ou gerar tensão desnecessária com Washington.
Até o momento, o diagnóstico no Planalto é que a ideia faz parte mais de um discurso retórico do governo de Donald Trump do que de uma iniciativa concreta já em andamento.
Além disso, integrantes do governo defendem evitar confrontos públicos com os Estados Unidos, especialmente para não comprometer a possibilidade de um encontro entre Lula e Trump previsto para abril.
Cooperação contra o crime organizado
Apesar das preocupações, o Brasil mantém diálogo com os Estados Unidos sobre cooperação no combate ao crime organizado.
O tema foi tratado em conversas entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio. De acordo com fontes, Lula também mencionou a questão em conversa com a presidente do México, Claudia Sheinbaum.
Preocupação com a soberania
O governo brasileiro tenta evitar que facções como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) sejam classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.
A avaliação dentro do governo é de que essa classificação poderia trazer consequências graves para o país.
Entre as preocupações está o risco de que uma decisão unilateral dos EUA abra brechas para medidas mais duras, como sanções financeiras ou até mesmo justificativas para intervenções internacionais sob o argumento de combate ao terrorismo.
Por isso, a orientação no Planalto é tratar o assunto com discrição e prioridade diplomática, evitando escaladas políticas ou retóricas que possam aumentar a tensão entre os dois países.


