Produto ainda não foi incluído na lista de isenções e setor teme impactos no comércio com o maior consumidor da commodity no mundo
Os preços do café arábica subiram nesta quinta-feira (31) após o anúncio do governo dos Estados Unidos de uma tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor no dia 6 de agosto, ainda não exclui o café da lista de exceções, o que aumenta a preocupação de exportadores e comerciantes com o futuro do comércio entre Brasil e EUA.
O presidente norte-americano Donald Trump justificou a decisão como uma resposta à “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Alguns setores estratégicos, como o de energia e suco de laranja, foram poupados da tarifa, mas o café segue na lista de produtos taxados.

O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo e responde por cerca de um terço das importações da bebida feitas pelos Estados Unidos , o maior consumidor global da commodity. O país norte-americano depende quase totalmente de importações, já que a produção local, restrita ao Havaí e Porto Rico, representa menos de 1% do consumo interno.
De acordo com um comunicado de entidades do setor cafeeiro, os exportadores brasileiros seguem pressionando por isenções antes do início da taxação. A esperança ainda existe, mas, segundo um trader europeu ouvido pela agência Reuters, “é improvável” que o café seja poupado da tarifa.
A incerteza fez os preços dispararem. Os contratos futuros do café arábica na ICE subiram 1,8%, chegando a US$ 2,9875 por libra-peso nesta manhã. Já o café robusta caiu levemente 0,1%, após fechar em alta de 1,7% na sessão anterior.
Se mantida a taxação, a medida pode provocar um redirecionamento nos fluxos do comércio global de café, aumento nos preços e corrida por estoques nos mercados consumidores.


