Rede MLC
Política

Câmara aprova urgência para projeto de anistia ligado a atos de 8 de janeiro

Publicidade

Proposta de Marcelo Crivella acelera tramitação, mas texto deve sofrer mudanças e enfrenta resistência do governo e do STF

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (17/09), o regime de urgência para a análise de um projeto de anistia apresentado em 2023 pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ). A medida recebeu 311 votos favoráveis, 163 contrários e 7 abstenções.

Com a aprovação da urgência, a proposta poderá ser votada diretamente no plenário, sem a necessidade de passar antes pelas comissões da Casa. Ainda não há data definida para a votação.

Publicidade

O que diz o projeto

O texto original de Crivella prevê anistia para pessoas envolvidas em manifestações de caráter político ou eleitoral ocorridas entre 30 de outubro de 2022, data do segundo turno das eleições presidenciais, e a entrada em vigor da lei. O alcance da medida inclui quem participou de atos, fez doações, prestou apoio logístico ou até publicou conteúdos em redes sociais relacionados.

Na prática, a redação abarca também os investigados e condenados pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas.

Apesar disso, especialistas e parlamentares chamam a proposta de “anistia light”, já que o texto inicial não contempla Jair Bolsonaro, condenado recentemente pelo STF a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes.

Resistência do governo

Em entrevista à BBC News Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi categórico ao afirmar que vetará qualquer projeto de anistia que chegue à sua mesa:

“Se viesse para eu vetar, pode ficar certo de que eu vetaria”

Disse Lula.

Ainda assim, o petista destacou que a decisão final caberá ao Congresso, já que deputados e senadores podem derrubar um eventual veto presidencial.

Enquanto isso, o governo tem buscado apoio no Legislativo para frear a proposta. Nas últimas semanas, liberou mais de R$ 3 bilhões em emendas parlamentares, o que gerou críticas da oposição, que acusa o Planalto de “comprar votos”.

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reforçou a posição contrária à anistia ampla, embora tenha admitido abertura para discutir a redução de penas.

Papel do Congresso

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vinha sendo pressionado por aliados de Jair Bolsonaro a pautar o tema. Segundo ele, a decisão de acelerar a tramitação atende à necessidade de o plenário decidir sobre a questão:

“O Brasil precisa de pacificação e de um futuro construído em bases de diálogo e respeito. Cabe ao plenário, soberano, decidir”

Afirmou em suas redes sociais.

O relator da proposta deve ser indicado nesta quinta-feira (18), e é a partir daí que o texto poderá ser alterado, ampliando ou restringindo o alcance do perdão.

STF deve barrar anistia ampla

Mesmo que o projeto seja aprovado no Congresso e resista a um veto de Lula, a expectativa é de que o Supremo Tribunal Federal derrube a medida. Pelo menos seis ministros já se manifestaram publicamente contra a possibilidade de perdoar crimes cometidos durante os atos antidemocráticos de janeiro de 2023.

Entre eles estão Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. O ministro Fux, no entanto, tem feito votos mais flexíveis em julgamentos recentes e foi o único da Primeira Turma a votar pela absolvição de Bolsonaro.

Apoio político a Bolsonaro

A possibilidade de anistia a Jair Bolsonaro segue mobilizando sua base política. Pesquisa Datafolha divulgada em 13 de setembro mostrou que 54% da população rejeita o perdão ao ex-presidente, enquanto 39% aprovam a medida.

Mesmo inelegível até 2030 por decisão do TSE, Bolsonaro mantém influência sobre a direita. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já declarou que, caso eleito presidente em 2026, a anistia ao ex-mandatário seria seu “primeiro ato”.

Repercussão internacional

A condenação de Bolsonaro também tem repercussão fora do país. O governo dos Estados Unidos, sob Donald Trump, já retaliou o Brasil com tarifas de até 50% sobre produtos nacionais, justificando que o ex-presidente estaria sendo alvo de uma “caça às bruxas”.

Além disso, o ministro Alexandre de Moraes foi incluído, em julho, na lista de sanções da Lei Magnitsky, que pune estrangeiros acusados de violar direitos humanos ou praticar corrupção.

Leia ta

Publicidade

Leia mais

EUA acusam China de operar instalações com potencial uso militar na América Latina, incluindo bases no Brasil

Brenda Gomes

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Brenda Gomes

Supostas anotações de Flávio Bolsonaro expõem articulações do PL no Amazonas para 2026

Brenda Gomes

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Entendemos que você está de acordo com isso, mas você pode cancelar, se desejar. Aceito Leia Mais