Defesa alega cerceamento após não ser notificada sobre laudos; MP pede anulação parcial, mas reforça existência de provas contra os réus
O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) iniciou, às 9h desta segunda-feira (22), o julgamento do recurso apresentado pela defesa dos condenados no caso Djidja Cardoso. A sessão acontece de forma virtual, com direito à sustentação oral dos advogados.
O processo voltou a ganhar repercussão após o Ministério Público do Amazonas (MPAM) reconhecer uma falha: os advogados não foram comunicados sobre a inclusão dos laudos periciais antes da sentença, o que configuraria cerceamento de defesa. Por isso, o órgão pediu a anulação parcial dos atos e o retorno do caso à primeira instância.
Apesar do reconhecimento da falha, o MP reforçou que existem provas consistentes contra os acusados, como depoimentos e mensagens em celulares, que apontam para uma associação criminosa estruturada dedicada ao tráfico. Caso a nulidade não seja acolhida, a instituição defende a manutenção das condenações.
Condenação
De acordo com a investigação, a família de Djidja criou o grupo religioso “Pai, Mãe, Vida”, que utilizava cetamina em rituais. A droga era fornecida por uma clínica veterinária e aplicada de forma indiscriminada.
Foram condenados a 10 anos, 11 meses e 8 dias de prisão por tráfico e associação para o tráfico:
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Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja)
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Ademar Farias Cardoso Neto (irmão)
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José Máximo Silva de Oliveira (dono da clínica veterinária)
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Sávio Soares Pereira (sócio da clínica)
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Hatus Moraes Silveira (coach da família)
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Verônica da Costa Seixas (gerente dos salões da família)
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Bruno Roberto da Silva Lima (ex-namorado de Djidja)
Verônica e Bruno aguardam em liberdade provisória. Os demais cumprem pena em regime fechado. Três acusados foram absolvidos por falta de provas.
A sentença tratou apenas dos crimes de tráfico e associação, enquanto denúncias de estupro, charlatanismo, manipulação de medicamentos e curandeirismo foram desmembradas e seguem em investigação.
A morte de Djidja
Ex-sinhazinha do Boi Garantido, Djidja foi encontrada morta em 28 de maio, com sinais de overdose. O laudo apontou edema cerebral como causa da morte, possivelmente ligado ao uso de cetamina.
A droga teria sido introduzida na família por Ademar, após viagem a Londres. Nos rituais, ele era visto como Jesus Cristo, a mãe como Maria e Djidja como Maria Madalena. O grupo acreditava que a cetamina promovia “elevação espiritual”.
Na casa e nos salões da família, a polícia encontrou ampolas de cetamina, seringas e caixas de medicamentos. As investigações também apontaram relatos de violência sexual e aborto dentro do grupo.


