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Internacional

Caso Jeffrey Epstein: quem foi o bilionário, quais crimes são atribuídos a ele e como o Brasil surge nas investigações

Justiça dos EUA libera milhões de documentos e amplia detalhes sobre a rede de exploração sexual ligada ao empresário, morto em 2019
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A divulgação de mais de 3 milhões de novos arquivos pela Justiça dos Estados Unidos reacendeu a atenção internacional sobre o caso Jeffrey Epstein, bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico e exploração sexual envolvendo meninas menores de idade. Os documentos trazem novos detalhes sobre o esquema, citam personalidades influentes e incluem menções ao Brasil.

Epstein foi preso em julho de 2019, mas morreu cerca de um mês depois dentro da prisão. As autoridades norte-americanas concluíram que ele tirou a própria vida, encerrando o processo criminal contra ele — mas não as investigações sobre outras pessoas envolvidas.

Como funcionava o esquema

De acordo com as investigações, entre 2002 e 2005, Epstein pagava meninas menores de idade para comparecerem a imóveis de sua propriedade, onde eram submetidas a abusos. Algumas vítimas relataram que também eram coagidas a recrutar outras garotas.

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As acusações apontam que os crimes ocorreram em mansões localizadas em Nova York, Flórida, Novo México e também em uma ilha particular no Caribe. Estima-se que mais de 250 meninas tenham sido exploradas sexualmente pelo bilionário.

Investigação, acordo e nova prisão

As primeiras denúncias surgiram em 2005, na Flórida. Epstein alegou, à época, que os encontros teriam sido consensuais e que acreditava que as vítimas eram maiores de idade. Em 2008, ele firmou um acordo judicial, declarou-se culpado por exploração de menores e cumpriu 13 meses de prisão, além de pagar indenizações.

O acordo foi posteriormente considerado ilegal por um juiz federal, o que levou à nova prisão em 2019, quando Epstein foi formalmente acusado de operar uma rede de exploração sexual. Promotores defenderam a prisão preventiva, alegando risco de fuga devido à grande fortuna e conexões internacionais do empresário.

Epstein morreu em agosto de 2019, dentro da cela. Dois dias antes, assinou um testamento que destinava um patrimônio avaliado em US$ 577 milhões. Com sua morte, as acusações foram arquivadas, mas autoridades afirmaram que outros envolvidos poderiam ser responsabilizados.

Nomes citados no processo

Documentos judiciais divulgados a partir de 2024 revelaram que mais de 150 nomes aparecem relacionados ao caso, principalmente em depoimentos e registros judiciais. Entre eles estão o ex-presidente dos EUA Bill Clinton e o príncipe Andrew, do Reino Unido.

Clinton teve confirmadas viagens no avião de Epstein, mas negou qualquer envolvimento com crimes. Já o príncipe Andrew foi acusado por uma das vítimas, perdeu títulos reais e, em 2023, fechou um acordo judicial, também negando as acusações.

Esses nomes surgem principalmente em um processo movido por Virginia Giuffre, uma das principais acusadoras de Epstein, contra Ghislaine Maxwell, ex-namorada do bilionário. Maxwell foi condenada por recrutar menores para o esquema.

O que trazem os novos documentos

Os arquivos recém-divulgados incluem mais de 180 mil imagens e 2 mil vídeos, além de e-mails e registros internos. Parte do material detalha o período em que Epstein esteve preso e circunstâncias relacionadas à sua morte.

Os documentos mencionam ainda uma figura chamada de “O Duque”, que investigadores acreditam ser o príncipe Andrew, além de referências a encontros e convites envolvendo mulheres jovens.

O nome do presidente dos EUA, Donald Trump, aparece diversas vezes. Há menção a uma denúncia de abuso que foi retirada em 2016. Trump nega as acusações, reconhece que conhecia Epstein, mas afirma que rompeu relações antes da prisão. Registros anteriores já indicavam proximidade entre os dois nas décadas de 1990 e 2000.

Onde o Brasil aparece no caso

O Brasil é citado em diferentes documentos liberados pela Justiça norte-americana. Parte dos arquivos menciona a atuação de um suposto “agente” ligado a Epstein, responsável por recrutar jovens durante viagens do bilionário ao país.

Reportagens da BBC indicam que brasileiras, incluindo adolescentes, teriam sido levadas para eventos em propriedades de Epstein nos Estados Unidos. Também há e-mails em que o empresário discute a compra de uma agência de modelos no Brasil e a criação de um concurso de beleza com investimento estimado em US$ 500 mil.

Outras mensagens mencionam interesse na aquisição de uma revista de moda brasileira. Os arquivos ainda citam os nomes de Jair Bolsonaro e Lula, mas, segundo os próprios documentos, sem qualquer relação com o esquema de exploração sexual.

Por que Trump quer tornar o caso público

Durante a campanha presidencial de 2024, Trump prometeu tornar públicos todos os arquivos do caso Epstein, alegando falta de transparência sobre possíveis envolvidos. Em 2025, parte dos documentos foi divulgada, mas o Departamento de Justiça afirmou não ter encontrado provas de uma lista formal de clientes.

A declaração gerou frustração entre apoiadores e aumentou a pressão política. Em resposta, Trump sancionou uma lei aprovada pelo Congresso que determina a divulgação integral dos arquivos da investigação, mantendo o caso em evidência internacional.

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