A cidade de Itapetininga (SP) foi palco de um crime que causou comoção em todo o país. O corpo da pequena Maria Clara Aguirre Lisboa, de 5 anos, foi encontrado enterrado no quintal da casa onde vivia com a mãe e o padrasto, na última terça-feira (14). A menina estava desaparecida havia cerca de 20 dias, e a descoberta ocorreu após denúncias e inconsistências nos relatos dos responsáveis.
A Justiça decretou a prisão temporária da mãe, Luiza Aguirre Barbosa da Silva, de 25 anos, e do padrasto, Rodrigo Ribeiro Machado, de 23, suspeitos de homicídio e ocultação de cadáver. O caso é investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Itapetininga.
Frieza e histórico de agressões
De acordo com as investigações, o padrasto demonstrou frieza ao falar sobre o desaparecimento da criança, chegando a afirmar, em tom de deboche, que a menina “já estava morta e nem existia mais” ao ser questionado pelo pai biológico de Maria Clara.
As agressões dentro de casa já vinham sendo registradas. Em janeiro deste ano, a mãe chegou a registrar um Boletim de Ocorrência contra Rodrigo, relatando ameaças de morte, enforcamento e tentativa de golpe com faca. O documento também mencionava que o homem “repreendia Maria Clara com força”.

Envolvimento com o crime organizado
Rodrigo Ribeiro Machado já havia sido preso e indiciado no início de 2025 por envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), onde era conhecido como “irmão sem piedade”, e por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Durante uma ocorrência anterior à morte da criança, a polícia encontrou um revólver calibre 38 com numeração raspada e munições intactas e deflagradas na residência do casal.
Investigações e perícia
O corpo de Maria Clara foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que realiza exames para determinar a causa da morte. O Instituto de Criminalística (IC) também foi acionado para analisar o local e os objetos apreendidos.
Familiares da menina afirmam que já haviam denunciado as agressões e o comportamento violento do padrasto, mas que as medidas de proteção não foram aplicadas a tempo. Eles agora pedem justiça e o endurecimento das punições em casos de violência infantil.
O casal foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico, além de homicídio e ocultação de cadáver, e está à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer todas as circunstâncias da morte de Maria Clara.


