Secretário-geral do grupo, Haitham Al Ghais, reforçou posição do grupo contra o compromisso climático que prevê fim da utilização de combustíveis que contribuem para o aquecimento global
Membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados (Opep+) voltaram a intensificar um movimento para derrubar um acordo em discussão na COP 28, em Dubai, para eliminação progressiva dos combustíveis fósseis.
Mais de 80 nações costuram o compromisso de extinção do uso de petróleo e gás, enquanto países como Arábia Saudita e Rússia trabalham contra.
No sábado (9/12), um representante da Opep, centro do grupo principal dos países produtores, leu na conferência um recado do secretário-geral, Haitham Al Ghais, que foi entendido como mais uma manobra de pressão contra o acordo.
“Precisamos de abordagens realistas para combater as emissões. Aquele que permite o crescimento econômico, ajuda a erradicar a pobreza e ao mesmo tempo aumenta a resiliência”, disse.
A ideia da Opep é que o documento de compromisso da COP 28 mencione apenas uma redução da poluição climática, não uma extinção. Desde o início desta semana, membros do grupo falam de “pressão indevida e desproporcional contra os combustíveis fósseis”.
O grupo de produtores de petróleo chegou a enviar uma carta pedindo aos seus membros e aliados que rejeitassem qualquer menção aos combustíveis fósseis no acordo final da cúpula. O Brasil foi convidado a se tornar um dos membros da Opep+, que são os “aliados” do grupo produtor, a partir de janeiro de 2024, mas ainda analisa a adesão.
Os representantes de países desenvolvidos e dos mais atingidos pelo aquecimento global criticaram as pressões no sábado.
O comissário climático da União Europeia, Wopke Hoekstra, criticou o texto de Al Ghais. “Por muitos, inclusive por mim, isso foi visto como fora de sintonia, como inútil, como não em sintonia com a posição do mundo em termos da situação muito dramática do nosso clima”, disse ele em entrevista para a agência Reuters.

À RFI, a ministra espanhola da Transição Ecológica, Teresa Ribera, cujo país ocupa a presidência rotativa da União Europeia, também fez duras críticas. “Acho que é uma coisa bastante repugnante da parte dos países da Opep, se oporem a que a gente coloque os termos como devem ser”.
A ministra francesa do Meio Ambiente, Agnès Pannier-Runacher se disse “estupefata”. “A posição da Opep coloca em risco os países mais vulneráveis e as populações mais pobres, que são as primeiras vítimas dessa situação. Eu conto que a presidência da COP não se deixará impressionar por essas declarações”, disse também à RFI.
Além da UE, Estados Unidos e nações pobres exigem uma meta de eventual fim da utilização de combustíveis que contribuem para o aquecimento global.
Ministros dos quase 200 países presentes na conferência do clima em Dubai tentam resolver o impasse dos combustíveis fósseis, em especial os países vulneráveis ao clima. O último rascunho do acordo considera uma série de opções, de uma “eliminação progressiva” até não ter menção alguma.
“Nada coloca a prosperidade e o futuro de todas as pessoas na Terra, incluindo todos os cidadãos dos países da Opep, em maior risco do que os combustíveis fósseis”, disse a enviada climática das Ilhas Marshall, Tina Stege.
As Ilhas Marshall presidem atualmente o grupo de nações da Coligação de Alta Ambição que pressiona por metas e políticas mais fortes de redução de emissões. O país enfrenta inundações devido ao aumento do nível do mar provocado pelo clima.
Stege afirma que os combustíveis fósseis “estão na raiz da crise” climática e a eliminação progressiva é fundamental para cumprir o objetivo de manter o aquecimento abaixo de 1,5ºC.
O ministro do Ambiente de Samoa, Cedric Schuster, corrobora os argumentos. “Uma meta para as energias renováveis não pode substituir um compromisso mais forte com a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis e o fim dos subsídios”, disse ele.
O diretor-geral da COP 28, Majid Al Suwaidi, disse que os Emirados Árabes Unidos queriam um acordo para colocar o mundo no caminho certo para limitar o aquecimento a 1,5ºC, sem citar, contudo, uma inserção da eliminação de combustíveis do compromisso final.
“Claramente queremos ver um resultado tão ambicioso quanto possível, e acreditamos que vamos alcançá-lo”, disse.
Opep, Opep+ e membros

A Opep, criada em 1960, reúne hoje 13 grandes países ofertantes de óleo no mundo como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Venezuela.
Não participam do grupo, no entanto, outros grandes produtores como Estados Unidos, Canadá, Brasil, China e Catar.
A sigla “Opep+”, com o símbolo de adição, inclui também os chamados “países aliados” – que não integram a organização propriamente, mas atuam de forma diferente conjunta em algumas políticas internacionais ligadas ao comércio de petróleo e na mediação entre membros e não membros.
Entre os aliados que compõem a Opep+ estão, atualmente, países como Azerbaijão, Bahrein, Malásia, México e Rússia.
Os integrantes da Opep+ fazem reuniões regulares para avaliar o cenário de oferta de petróleo no mundo e implementam cortes ou aumento de produção, exercendo influência sobre os preços do barril.


