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Saúde

Crise das bebidas adulteradas com metanol preocupa autoridades e consumidores

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Mais de 100 casos suspeitos em vários estados, uma morte confirmada e ações emergenciais para conter o avanço da contaminação

O consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol desencadeou uma crise nacional, com 116 casos suspeitos e 11 confirmados de intoxicação em diferentes regiões do Brasil. Uma morte já foi confirmada e outras sete ainda estão em investigação.

O problema ganhou força após o Instituto de Criminalística de São Paulo confirmar, nesta sexta-feira (3), a presença da substância em duas garrafas apreendidas pela Polícia Civil. No mesmo dia, a Polícia de São Paulo prendeu um dos principais fornecedores de insumos usados na produção de destilados falsificados, armazenados em dois imóveis distintos.

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Estados atingidos

Segundo o Ministério da Saúde, os casos foram registrados em pelo menos cinco estados, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul, além do Distrito Federal. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o cenário como “anormal e sem precedentes na série histórica” de intoxicações.

Como identificar garrafas falsificadas

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) orienta que consumidores desconfiem de preços muito baixos, exijam sempre nota fiscal e fiquem atentos à qualidade de rótulos e embalagens. Produtos sofisticados, geralmente alvo de falsificação, costumam ter rótulos em alto-relevo e impressão de alta qualidade, o que não é reproduzido com facilidade por falsificadores.

Ações emergenciais do governo

O Ministério da Saúde instalou uma “Sala de Situação” para monitorar os casos e coordenar medidas de resposta. Entre as ações, estão:

  • Fiscalizações em bares e distribuidoras;

  • Suspensão de inscrições estaduais de estabelecimentos flagrados vendendo bebidas adulteradas em São Paulo;

  • Canal de denúncias no site do Procon-SP, que pode ser usado de forma anônima;

  • Importação emergencial do antídoto fomepizol, ainda não registrado no Brasil;

  • Uso alternativo de etanol farmacêutico, disponível em hospitais universitários e farmácias de manipulação, como tratamento seguro em casos de intoxicação, quando prescrito por médicos.

Recomendações para a população

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também emitiu alerta para bares, restaurantes, casas noturnas, hotéis, mercados e aplicativos de entrega. Entre as orientações, estão:

  • Comprar apenas de fornecedores conhecidos;

  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;

  • Conferir lacres, rótulos e embalagens;

  • Nunca realizar “testes caseiros” (como cheirar ou queimar a bebida);

  • Comunicar autoridades ao notar irregularidades;

  • Exigir sempre a nota fiscal para garantir a rastreabilidade do produto.

Riscos à saúde

A ingestão de metanol pode causar náusea, dor de cabeça, visão turva, convulsões, coma e até a morte. Por isso, qualquer suspeita de contaminação deve ser tratada com urgência médica.

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