Voo marca o início de uma ampla operação de deportação em massa conduzida pelo governo Trump, cumprindo promessas da política anti-imigração.
Na noite de sexta-feira (24), o primeiro grupo de deportados dos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump chegou ao Brasil em um voo com destino inicial a Belo Horizonte. No entanto, devido à necessidade de manutenção da aeronave, o grupo precisou permanecer em Manaus, onde enfrentou situações adversas.
A aeronave, que transportava 158 pessoas, incluindo 88 brasileiros, fez uma conexão na capital amazonense, mas o voo para Minas Gerais foi cancelado após problemas técnicos.
Durante a espera, os deportados foram acomodados em colchões no chão do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes e receberam alimentos, água e atendimento médico, fornecidos pelo governo local por meio da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc).
“A principal solicitação aqui é o atendimento humanizado, então estamos nos fazendo presentes para garantir que os direitos desses cidadãos sejam preservados”, afirmou a secretária da Sejusc, Jussara Pedrosa, que acompanhou a situação no local.
Profissionais do Corpo de Bombeiros também estiveram presentes para prestar suporte médico e identificar pacientes que necessitavam de medicamentos ou outros cuidados.

Uso de algemas e soberania nacional
Imagens registradas no desembarque mostram que parte dos deportados chegou algemada e com os pés acorrentados (veja mais abaixo), gerando indignação e levantando questões sobre o tratamento dado aos brasileiros no exterior.
Segundo o blog da jornalista Andréia Sadi, autoridades americanas haviam solicitado que os deportados permanecessem algemados até a chegada de outro avião dos Estados Unidos.
Contudo, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, proibiu a continuidade do uso das algemas, enfatizando que, em território brasileiro, os deportados devem ser tratados como cidadãos livres, em respeito à soberania nacional.
Em resposta à situação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para concluir o transporte do grupo até Belo Horizonte.
O KC-30, do Esquadrão Corsário, decolou de Manaus na tarde de sábado (25), levando os deportados para o Aeroporto Internacional de Confins, em Minas Gerais. Profissionais de saúde acompanharam o grupo durante o trajeto.

Operação de deportação em massa
A chegada desse voo marca o início de uma ampla operação de deportação em massa conduzida pelo governo Trump, cumprindo promessas da política anti-imigração.
Entre quinta-feira (23) e sexta-feira (24), a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que 538 imigrantes ilegais, incluindo brasileiros, foram presos desde a posse de Trump.
Ela destacou que “centenas de imigrantes ilegais já foram deportados em aeronaves militares”, chamando a operação de “a maior deportação em massa da história”.
Nas redes sociais, Leavitt publicou imagens de deportados embarcando em aviões militares e reforçou o lema: “Promessas feitas. Promessas cumpridas”.


