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Dirigentes da Amazonprev são investigados por esquema de R$ 390 milhões em aplicações suspeitas

Operação da PF aponta divisão de funções entre gestores e possível pagamento de propina ligado ao Banco Master
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Três dirigentes da Amazonprev, fundo de previdência dos servidores do Amazonas, são investigados pela Polícia Federal por suspeita de irregularidades em aplicações financeiras que somam cerca de R$ 390 milhões.

Os investigados, Claudinei Soares, Cláudio Marins de Melo e André Luis Bentes de Souza, foram alvos da Operação Sine Consensu, deflagrada na sexta-feira (6).

Segundo as investigações, o grupo teria funções bem definidas no esquema, que incluía fracionamento de valores para burlar mecanismos de fiscalização e credenciamento de instituições financeiras, entre elas o Banco Master, o que possibilitou parte das aplicações suspeitas.

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Além dos dirigentes, o empresário Sávio Loyola e Silva também é investigado por suspeita de pagar propina aos gestores.

Papéis de cada dirigente no esquema

De acordo com apuração, Claudinei Soares, ex-gestor de recursos e coordenador do Comitê de Investimentos da Amazonprev, é apontado como principal responsável pela condução das operações.

Ele teria centralizado decisões, ignorado recomendações técnicas e fracionado valores para contornar limites internos de investimento. Ainda segundo as investigações, recebeu R$ 273,8 mil da empresa ALFA A Consultoria e Gestão de Frota Ltda., pertencente a Sávio Loyola.

Cláudio Marins de Melo, que ocupava o cargo de diretor de Administração e Finanças, teria sido responsável por solicitar cotações e encaminhar ordens de compra das aplicações financeiras.

Mesmo diante de possíveis irregularidades, ele ratificou e registrou as operações posteriormente, em vez de interrompê-las, o que, segundo os investigadores, enfraqueceu os mecanismos de controle interno. Ele teria recebido R$ 185,3 mil da mesma empresa investigada.

O terceiro dirigente, André Luis Bentes de Souza, que atuava como diretor de Previdência, participou das reuniões do Comitê de Investimentos e votou favoravelmente às aquisições de Letras Financeiras, mesmo após alertas técnicos sobre riscos.

Ele também assinou credenciamentos de bancos que deram suporte administrativo às operações e teria recebido R$ 161 mil por meio de uma empresa vinculada ao seu nome.

Empresário é suspeito de intermediar pagamentos

O empresário Sávio Loyola e Silva é proprietário da empresa ALFA A Consultoria e Gestão de Frota Ltda., sediada em Niterói (RJ).

Apesar de atuar no setor de transporte e locação de veículos, a empresa movimentou cerca de R$ 2,7 milhões entre junho e dezembro de 2024, valor considerado incompatível com sua capacidade operacional.

Parte significativa desses recursos teria sido transferida diretamente aos dirigentes da Amazonprev, o que levantou suspeitas de pagamento de propina.

Auditoria identificou operações suspeitas

Uma auditoria do Ministério da Previdência apontou cinco aplicações financeiras consideradas suspeitas, realizadas entre junho e setembro de 2024:

  • Banco Master – R$ 50 milhões

  • Banco Daycoval – R$ 50 milhões

  • Banco BTG Pactual – R$ 40,7 milhões

  • Banco C6 Consignado – duas operações de R$ 125 milhões cada

Segundo o relatório, algumas dessas aplicações foram realizadas sem aprovação formal da diretoria ou do Comitê de Investimentos e até mesmo com instituições financeiras não credenciadas pelo Ministério da Previdência.

Intermediação por corretoras

As operações financeiras teriam sido intermediadas pelas corretoras Terra Investimentos e Mirae Asset.

A Polícia Federal investiga o uso recorrente dessas empresas nas aplicações, sem apresentação de critérios objetivos para escolha ou comparação de custos e riscos, o que levanta suspeitas de irregularidades.

Amazonprev afirma colaborar com investigações

Em nota, a Amazonprev informou que está colaborando com as investigações e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

O órgão também informou que dois servidores efetivos citados na operação foram afastados de suas funções, enquanto o terceiro investigado, que ocupava cargo comissionado, deixou a instituição ainda em 2024.

A fundação destacou ainda que as aplicações investigadas não comprometem o pagamento de aposentadorias e pensões, afirmando que o Fundo de Previdência do Amazonas (FPREV) possui superávit atuarial de R$ 1,7 bilhão.

Atualmente, o fundo mantém mais de R$ 11 bilhões em recursos acumulados, valor que, segundo a instituição, garante o pagamento dos benefícios atuais e futuros dos servidores estaduais.

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