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Economia

Dívida cresce por causa dos juros, não do gasto público, afirma Haddad

Ministro da Fazenda diz que ajuste fiscal avançou, vê espaço para corte da Selic e defende ampliação do poder regulatório do Banco Central
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Brasília (DF) — O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira (19) que o principal fator de pressão sobre a dívida pública brasileira é o alto nível dos juros reais, e não o déficit fiscal. A declaração foi dada durante entrevista ao programa UOL News.

Segundo Haddad, o governo tem apresentado avanços significativos no controle das contas públicas. “Em dois anos, nós reduzimos em 70% o déficit primário. O problema da dívida tem a ver com o juro real, não com o déficit, que está caindo”, destacou.

O ministro ressaltou que as metas fiscais vêm se tornando mais rigorosas ao longo do atual governo. “Estamos subindo o sarrafo das exigências”, disse, ao lembrar que a meta de resultado primário deste ano é mais dura do que a dos anos anteriores.

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Déficit menor que o projetado

Haddad afirmou que, mesmo considerando exceções fiscais, como o ressarcimento de descontos indevidos a aposentados do INSS, o déficit primário de 2025 ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para efeito de comparação, o ministro citou o cenário herdado da gestão anterior. “O déficit projetado para 2023 era superior a 1,6% do PIB. Isso mostra que o problema não é o déficit”, argumentou.

Espaço para queda da Selic

Ao comentar a política monetária, Haddad afirmou que há margem para redução da taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano. “Eu acho que tem espaço para cortar os juros”, declarou.

Apesar disso, o ministro fez elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, especialmente pela condução de crises herdadas, como o caso envolvendo o Banco Master. “Ele descascou um abacaxi com responsabilidade”, afirmou.

Mais poder ao Banco Central

Haddad também defendeu a ampliação do papel regulatório do Banco Central, sugerindo que a autarquia passe a fiscalizar os fundos de investimento, hoje sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

“Há muita coisa que deveria estar no âmbito do Banco Central e está na CVM, equivocadamente”, disse. Para o ministro, a forte conexão entre fundos, sistema financeiro e contabilidade pública justifica a mudança.

“Taxad” e taxação dos mais ricos

Questionado sobre o apelido “Taxad”, usado por críticos nas redes sociais, Haddad afirmou não se incomodar. Pelo contrário, disse se orgulhar das medidas adotadas. “Fico feliz de ser lembrado como o ministro que taxou offshore, fundo familiar fechado, paraíso fiscal e dividendos”, afirmou.

Segundo ele, a chamada “taxação BBB” bancos, bets e bilionário,  saiu do papel, fazendo com que setores que antes não pagavam impostos passassem a contribuir.

Economia e eleições

Na avaliação do ministro, a economia não será o fator decisivo nas próximas eleições presidenciais, no Brasil ou no exterior. “É um elemento importante, mas não necessariamente decisivo”, disse.

Haddad citou pesquisas que apontam segurança pública e combate à corrupção como preocupações centrais da população. Ele também afirmou que não pretende disputar cargos eletivos nas próximas eleições, embora o tema ainda esteja em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

*Informações da Agência Brasil

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