O dólar encerrou esta quarta-feira (17) em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,5222, o maior patamar desde o início de agosto. Já o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuou 0,97%, aos 157.046 pontos, ampliando o movimento de cautela observado nos últimos pregões.
O dia foi marcado por poucos indicadores econômicos relevantes, o que fez os investidores concentrarem atenção em fatores políticos e geopolíticos, tanto no exterior quanto no Brasil.
Pressões vindas do exterior
No cenário internacional, os mercados acompanharam com atenção a expectativa de novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao aumento das tensões envolvendo a Venezuela. Na véspera, Trump afirmou que o país estaria “completamente cercado” e determinou um bloqueio total a petroleiros sancionados que entram ou saem do território venezuelano.
As declarações elevaram a preocupação com a oferta global de petróleo e impulsionaram os preços da commodity. No fim da tarde, o Brent avançava cerca de 2%, cotado próximo de US$ 60 por barril, após ter atingido o menor nível desde 2021 no pregão anterior.
Além disso, investidores monitoraram os pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed) em busca de pistas sobre os rumos da política monetária americana, fator que costuma impactar diretamente o dólar e os mercados emergentes.
Política brasileira no radar
No Brasil, o foco recaiu sobre a nova pesquisa Genial/Quaest, que trouxe reflexos imediatos sobre os ativos financeiros. O levantamento mostrou o presidente Lula na liderança das intenções de voto para 2026, seguido por nomes da oposição, o que indica fragmentação entre possíveis candidatos de centro-direita.
Para agentes do mercado, o cenário aumenta a percepção de risco fiscal. A avaliação é de que a continuidade do atual governo pode dificultar ajustes mais profundos nas contas públicas, pressionando o câmbio e reduzindo o apetite por ações.
Esse movimento já havia sido sentido na terça-feira, quando o Ibovespa caiu 2,4%, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas.
Desempenho dos mercados
Dólar
-
Semana: +2,06%
-
Mês: +3,51%
-
Ano: -10,64%
Ibovespa
-
Semana: -1,36%
-
Mês: -0,31%
-
Ano: +31,84%
Segundo analistas, a combinação de incertezas políticas internas, tensão internacional e busca por proteção levou investidores a reduzir posições em ações, exigir juros mais altos para títulos públicos e aumentar a exposição ao dólar.
Bolsas globais
Em Wall Street, os índices operaram próximos da estabilidade, refletindo cautela. O S&P 500 subiu levemente, enquanto o Dow Jones avançou e o Nasdaq oscilou sem direção definida. As ações do setor de petróleo lideraram os ganhos, impulsionadas pela alta da commodity.
Na Ásia, os mercados fecharam majoritariamente em alta, apoiados por ações ligadas à inteligência artificial e pela expectativa em torno das decisões do Fed. China, Hong Kong, Japão e Coreia do Sul registraram valorização, enquanto Taiwan e Cingapura tiveram leves quedas.
O cenário global segue marcado por volatilidade, com investidores atentos aos desdobramentos políticos, às decisões de política monetária e aos riscos geopolíticos que continuam influenciando câmbio, commodities e bolsas ao redor do mundo.


