O Irã vive uma de suas maiores ondas de instabilidade política desde 2022, em meio a protestos em massa que desafiam abertamente o governo do Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei. Enquanto manifestações tomam ruas de dezenas de cidades, autoridades iranianas elevaram o tom contra os Estados Unidos, afirmando que qualquer ataque será respondido com retaliação militar.
As manifestações, que já alcançaram mais de 100 cidades e vilas em todas as províncias iranianas, começaram impulsionadas pela forte inflação e pelo agravamento da crise econômica, mas rapidamente assumiram um caráter político. Manifestantes passaram a exigir o fim do regime islâmico e a saída de Khamenei do poder.
Repressão mais dura e ameaça de pena de morte
Com o avanço dos protestos, o governo intensificou a repressão. O procurador-geral do Irã declarou que participantes das manifestações são considerados “inimigos de Deus”, acusação que pode levar à pena de morte segundo a legislação do país.
O próprio Khamenei minimizou os atos, chamando os manifestantes de “vândalos” e afirmando que o movimento teria como objetivo “agradar aos Estados Unidos”.
Organizações de direitos humanos relatam um aumento expressivo no número de mortos e feridos, incluindo civis e membros das forças de segurança. Hospitais em várias regiões relataram superlotação, e a chegada de dezenas de corpos foi confirmada em unidades médicas de cidades como Teerã e Rasht.
EUA entram no discurso da crise
A escalada de violência ganhou repercussão internacional após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o país está “pronto para ajudar” e alertou que o Irã poderá ser atingido “com muita força” caso o governo passe a “matar pessoas”.
Em resposta, o presidente do Parlamento iraniano afirmou que Israel e todas as bases militares e navais dos EUA na região seriam alvos legítimos se houver qualquer ataque americano contra o Irã.
Relatos da imprensa dos EUA indicam que Trump já foi informado sobre opções militares, embora autoridades americanas tenham afirmado que não há ameaça iminente no momento.
Internet bloqueada e dificuldade de informação
Desde quinta-feira, o governo iraniano impôs um bloqueio quase total da internet, dificultando a comunicação com o exterior e a verificação independente dos fatos. Especialistas afirmam que a restrição é mais severa do que durante o levante “Mulheres, Vida, Liberdade”, em 2022.
Ainda assim, vídeos verificados por agências independentes mostram confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança, com relatos de tiros, incêndios, barricadas improvisadas e detenções em massa em cidades como Teerã e Mashhad.
Mais de 2,5 mil pessoas já foram presas desde o início dos protestos, segundo grupos de direitos humanos.
Mortes, denúncias e alerta internacional
Organizações internacionais apontam números divergentes, mas todas indicam um cenário grave. Estimativas apontam entre 100 e quase 200 manifestantes mortos, incluindo crianças, além de dezenas de agentes de segurança.
A Anistia Internacional afirmou estar analisando denúncias de uso ilegal de força letal por parte das autoridades iranianas. Já o Reino Unido declarou que os manifestantes não devem ser submetidos à violência ou represálias.
Analistas avaliam que os protestos atuais representam o maior desafio ao regime iraniano desde a morte de Mahsa Amini, em 2022, episódio que desencadeou uma repressão violenta e deixou centenas de mortos.
Enquanto a crise interna se aprofunda, a troca de ameaças entre Irã e Estados Unidos eleva o temor de que o conflito ultrapasse as fronteiras iranianas e gere impactos regionais e globais.


