Estados Unidos, Ucrânia e Rússia iniciaram nesta sexta-feira (23) a primeira reunião trilateral desde o início da guerra para negociar o fim do conflito ucraniano, que se aproxima de quatro anos de duração. A cúpula ocorre em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e segue até o sábado (24).
Esta é a primeira vez que os três países se sentam juntos para discutir formalmente a paz. Com o governo de Donald Trump, os Estados Unidos assumiram o papel de principal mediador do conflito. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o foco central das conversas será o controle territorial da região de Donbas, no leste da Ucrânia.
“O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”, declarou Zelensky em coletiva de imprensa on-line.
Rússia reforça exigência sobre Donbas
Antes do início da reunião, a Rússia voltou a exigir a anexação integral de Donbas como condição para encerrar a guerra. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a retirada das tropas ucranianas da região é indispensável para que o presidente Vladimir Putin aceite um acordo.
“A posição da Rússia é bem conhecida: a Ucrânia e suas Forças Armadas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”, disse Peskov.
O porta-voz também mencionou uma chamada “fórmula Anchorage”, em referência ao encontro entre Trump e Putin realizado no Alasca em agosto, sinalizando uma possível mensagem diplomática aos Estados Unidos.
Delegações e bastidores da negociação
Até o momento, os líderes dos três países não participam diretamente da cúpula. As delegações são formadas por representantes de alto escalão:
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A Rússia é representada pelo almirante Igor Kostyukov;
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A Ucrânia enviou seus principais negociadores, entre civis, diplomatas e autoridades de segurança;
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Os Estados Unidos são representados pelo enviado especial Steve Witkoff, pelo empresário Jared Kushner e pelo assessor da Casa Branca Josh Gruenbaum.
Zelensky afirmou que os documentos para encerrar a guerra estão “quase prontos”, após consenso com Trump sobre garantias de segurança dos EUA no período pós-guerra.
Acordo estaria 90% concluído
Segundo o presidente ucraniano, as negociações avançaram significativamente após reunião com Trump durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O encontro durou cerca de uma hora e foi descrito como “muito positivo” por autoridades norte-americanas.
“Os russos precisam estar preparados para compromissos”, afirmou Zelensky.
Apesar disso, Kiev considera inaceitável ceder territórios ainda sob controle ucraniano, enquanto Moscou se mostra disposta a encerrar o conflito apenas sob suas próprias condições.
Encontro em Moscou reforça expectativa de acordo
Na noite de quinta-feira (22), Steve Witkoff se reuniu com Vladimir Putin em Moscou, em um encontro que teve como objetivo destravar os últimos impasses da negociação. Segundo o enviado norte-americano, resta apenas uma questão pendente entre Rússia e Ucrânia para a conclusão do acordo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também sinalizou otimismo:
“Encerramos oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja muito próximo”, afirmou.


