O ex-médico foi julgado por 111 estupros e 189 agressões sexuais cometidos em hospitais entre 1989 e 2014 – 256 vítimas eram crianças menores de 15 anos.
O ex-cirurgião Joel Le Scouarnec, de 74 anos, foi condenado nesta quarta-feira (28) a 20 anos de prisão – pena máxima na França – por estupro e agressão sexual contra 299 pacientes, a maioria menores de idade. O aposentado, preso desde 2017, confessou os crimes no primeiro dia do julgamento, iniciado em 24 de fevereiro, declarando que cometeu “atos abomináveis”.
Durante o processo, Le Scouarnec admitiu também ter abusado da própria neta. Investigações revelaram cadernos com registros perturbadores: ele descreveu cerca de 20 vezes as “fantasias sexuais” com uma vizinha de 6 anos – a primeira anotação foi feita quando a vítima tinha apenas um mês e meio.
Antes da confissão, o filho mais velho depôs sobre o histórico familiar, marcado por incesto e violência sexual repetida.
O caso ecoa o de Dominique Pélicot, que recebeu a mesma pena por drogar a ex-mulher para que fosse estuprada por terceiros.
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Pena e restrições
O tribunal de Vannes (oeste da França) impôs:
- 20 anos de prisão, com possibilidade de pedir liberdade condicional após cumprir 2/3 da pena;
- 15 anos de monitoramento pós-prisão, incluindo proibição vitalícia de exercer medicina ou ter contato com menores;
- Rejeitou a solicitação da Promotoria de internação em centro de tratamento após o cárcere.
A presidente do tribunal, Aude Buresi, destacou: “Foi levado em consideração que os atos cometidos foram particularmente graves devido ao número de vítimas, à sua pouca idade e ao caráter compulsivo [do acusado]”.
Ao final do julgamento, Le Scouarnec afirmou: “Não estou pedindo clemência ao tribunal. Estou simplesmente pedindo o direito de ser uma pessoa melhor e recuperar aquela parte da humanidade que tanto me falta”.
O ex-médico foi julgado por 111 estupros e 189 agressões sexuais cometidos em hospitais entre 1989 e 2014 – 256 vítimas eram crianças menores de 15 anos. Em 2020, já havia sido condenado a 15 anos por abusar de duas sobrinhas, uma paciente e a vizinha cujo caso levou à descoberta dos demais crimes.



