O Ministério da Saúde iniciou a substituição de 50 mil canetas de insulina reutilizáveis distribuídas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) após o surgimento de falhas mecânicas e quebras no material. O equipamento é fundamental para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 1.
As queixas começaram a ser registradas nas secretarias estaduais de Saúde e nas redes sociais do próprio ministério, onde profissionais de saúde e pacientes relataram problemas no uso do produto, fabricado pela empresa GlobalX.
Entre os relatos, estão dificuldade de encaixe do carpule, vazamentos, rompimentos e até falhas na aplicação da dose de insulina, o que pode gerar risco de descompensação glicêmica. De acordo com técnicos, as canetas podem deixar de aplicar a dose correta sem que o paciente perceba, situação especialmente preocupante para idosos e pessoas com pouca instrução, que utilizam o dispositivo de forma independente.
“A maioria é idosa, com pouca instrução e mora sozinha. Esse público precisa de segurança e praticidade. Essa caneta tem representado mais risco do que benefício”
Afirmou a farmacêutica Letícia Andrade Teixeira.
A pasta chegou a divulgar um vídeo explicativo sobre o uso correto das canetas, mas a publicação recebeu inúmeros comentários relatando dificuldades e insatisfações. Profissionais de saúde classificaram o modelo como “frágil” e “de fácil quebra”.
O modelo reutilizável começou a ser entregue neste ano, substituindo as versões descartáveis. Desde então, o SUS já distribuiu quase 3 milhões de unidades, e a previsão é chegar a 4,5 milhões até o fim de 2025. As canetas recolhidas estão passando por inspeção para identificar a origem das falhas e definir medidas corretivas.
Fabricante promete ajustes
Em nota à Folha de S.Paulo, a GlobalX informou que apenas 1,5% das canetas apresentou defeito e que já doou mais 1,4 milhão de unidades ao Ministério da Saúde. A empresa declarou manter diálogo com o governo para aperfeiçoar o dispositivo.
Entre as melhorias em estudo estão:
-
transparência no suporte do carpule, para facilitar a visualização da dose;
-
troca do sistema de trava por rosca, aumentando a segurança do encaixe;
-
etiquetas diferenciadas para distinguir os tipos de insulina — NPH (manutenção) e regular (uso após refeições).
A falta de diferenciação entre os dois tipos de insulina foi um dos pontos que mais gerou confusão entre os pacientes, levando muitos a utilizar a caneta para apenas uma das aplicações, por medo de erros.
O Ministério da Saúde afirmou que segue acompanhando a situação e que as substituições continuarão sendo feitas sempre que houver comprovação de defeitos nas unidades distribuídas.


