Decisão foi tomada mesmo após autorização judicial; corpo será enterrado para permitir novas investigações, se necessário
O corpo da publicitária Juliana Marins, de 27 anos, será sepultado nesta sexta-feira (4) no Cemitério Parque da Colina, em Niterói (RJ), sua cidade natal. A família optou pela mudança nos planos iniciais e desistiu da cremação, mesmo após autorização da Justiça.
Segundo o pai da jovem, Manoel Marins, a escolha pelo enterro foi motivada por precauções em relação às investigações da causa da morte. “Ela vai ser sepultada. Nós tínhamos solicitado ao juiz, por meio da Defensoria Pública, que ela pudesse ser cremada. Mas o juiz havia negado porque se trata de uma morte suspeita. Caso fosse necessária uma exumação, ela teria que ser enterrada”, afirmou. Manoel explicou que, mesmo após a Defensoria conseguir autorização para a cremação, a família já havia decidido pelo sepultamento.
Juliana faleceu no dia 24 de junho, após sofrer uma queda durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia. O resgate durou mais de quatro dias. O primeiro laudo apontava hemorragia interna provocada por múltiplos traumas, mas a família contesta o resultado, alegando que muitos pontos ainda não foram esclarecidos.
“Precisamos de respostas. Algumas só virão com o resultado da segunda necrópsia, que foi feita aqui”, reforçou o pai. A nova autópsia foi realizada no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro, sob supervisão de peritos da Polícia Civil, com acompanhamento da Polícia Federal e representantes da família.
O velório teve início às 10h, com abertura ao público. A partir das 12h, o espaço foi reservado apenas para familiares e amigos mais próximos.
Denúncias de negligência e reação das autoridades da Indonésia
A família de Juliana responsabiliza a falta de estrutura e o despreparo das autoridades locais pelo desfecho da tragédia. “Foi uma sucessão de erros. O caso mostra o descaso com a vida humana, a negligência e a precariedade dos serviços naquele país. Um destino turístico não pode funcionar sem condições adequadas para resgates”, declarou Manoel Marins.
A repercussão do caso mobilizou internautas brasileiros, que passaram a cobrar respostas diretamente nas redes sociais de autoridades indonésias.
Diante da pressão, o governo da Indonésia anunciou a revisão dos protocolos de segurança em áreas turísticas de risco, como o Monte Rinjani. O ministro florestal do país, Raja Juli Antoni, publicou em suas redes sociais que se reuniu com voluntários e alpinistas para discutir as falhas no resgate e prometeu mudanças. “Todos concordam: escalar uma montanha não é o mesmo que ir ao shopping. Precisamos rever seriamente os protocolos de segurança”, escreveu.
Na semana passada, o governador da província de Nusa Tenggara Ocidental (NTB), onde fica o monte, também reconheceu a precariedade da infraestrutura. Em carta aberta, ele admitiu a falta de profissionais especializados e a carência de equipamentos essenciais para salvamentos em áreas de difícil acesso.
Além do caso Juliana, o país enfrenta nova crise de imagem no setor turístico após um naufrágio em Bali que deixou pelo menos quatro mortos e 40 desaparecidos, aumentando a pressão internacional por melhorias na segurança de turistas estrangeiros.


