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Fome em Gaza: por que a população está à beira do colapso humanitário

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Bloqueios, guerra prolongada e colapso dos sistemas básicos deixaram a Faixa de Gaza em uma crise alimentar sem precedentes, com crianças morrendo por desnutrição

Cercados por todos os lados

A Faixa de Gaza é um território de cerca de 365 km² onde vivem mais de 2 milhões de pessoas. Desde o início da ofensiva militar israelense, em outubro de 2023, o acesso à região foi praticamente bloqueado. Com fronteiras fechadas, bombardeios constantes e a destruição de infraestrutura básica, alimentos, medicamentos e água potável simplesmente deixaram de chegar.

Israel afirma que os bloqueios são parte de sua estratégia de guerra contra o Hamas, grupo que governa Gaza desde 2007. No entanto, as restrições acabam atingindo de forma massiva a população civil, incluindo crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

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Organizações como a ONU, Médicos Sem Fronteiras e Cruz Vermelha alertam que os comboios com ajuda humanitária são frequentemente impedidos de entrar ou sofrem ataques durante o trajeto. Em algumas regiões do norte de Gaza, a distribuição foi considerada “praticamente impossível”.

A escassez levou a um aumento drástico nos preços dos poucos alimentos disponíveis. Em muitos casos, famílias inteiras passam dias sem comer ou dependem de farinha misturada com água como única refeição.

Crianças e bebês: as maiores vítimas

Relatórios da ONU e do Unicef mostram um aumento expressivo nos casos de desnutrição severa entre crianças. Hospitais relatam mortes por inanição, e muitos recém-nascidos não têm acesso nem a leite nem a cuidados mínimos.
Médicos trabalham sem equipamentos, remédios ou eletricidade. Profissionais relatam cenas desesperadoras: pais oferecendo o próprio sangue para salvar os filhos e médicos operando sem anestesia.

Muhammad, um bebê palestino, sofre de desnutrição severa ao lado da mãe, após serem forçados a deixar sua casa no norte de Gaza. Foto: Ahmed al-Arini / 21 de julho

Infraestrutura destruída

Mais de 60% da infraestrutura da Faixa de Gaza foi destruída ou danificada. Isso inclui silos de grãos, armazéns de mantimentos, caminhões de transporte e centros de distribuição de alimentos.
Além disso, com as estações de dessalinização fora de serviço e poços contaminados, a escassez de água potável agrava ainda mais o quadro de insegurança alimentar.

Destruição no campo de refugiados de Jabalyia, no norte da Faixa de Gaza — Foto: Omar aL-Qattaa/AFP


A ONU já fala em “fome induzida”

Relatórios da Organização das Nações Unidas indicam que a fome em Gaza não é apenas consequência colateral da guerra  é, cada vez mais, usada como estratégia de pressão.
A ONU e outras entidades internacionais já classificam a situação como “fome induzida”, ou seja, provocada intencionalmente por ações de guerra que impedem o acesso a alimentos.

Palestinos aguardam para receber comida de uma cozinha solidária em Gaza. Foto: Mahmoud Issa / REUTERS


O que dizem Israel e o Hamas

Israel afirma que seus alvos são membros do Hamas e que permite a entrada de ajuda humanitária “sob condições de segurança”. Também acusa o Hamas de desviar parte dos suprimentos.
O Hamas, por sua vez, acusa Israel de punir coletivamente a população e usa a crise como forma de pressionar negociações internacionais.

Enquanto governos disputam narrativas e justificativas, quem sofre é o povo. A fome em Gaza não é apenas uma tragédia humanitária é um retrato cruel do impacto da guerra sobre civis.
Mais do que números ou estatísticas, são vidas suspensas pela ausência do básico: o direito de comer, de viver, de existir.

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