A medida segue uma determinação do presidente norte-americano, emitida em 20 de janeiro, primeiro dia do mandato de Trump.
O governo de Donald Trump anunciou a suspensão, por 90 dias, do repasse de fundos destinados à ajuda humanitária para uma agência da ONU que presta assistência a migrantes em Manaus. A decisão afeta serviços voltados a imigrantes venezuelanos no Amazonas e em outros estados da região Norte, que agora estão interrompidos.
A medida segue uma determinação do presidente norte-americano, emitida em 20 de janeiro, que ordenou a interrupção imediata do uso de recursos provenientes de programas como o Bureau de População, Refugiados e Migração (PRM) e a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Além disso, novos projetos foram suspensos, conforme detalhado em um memorando interno enviado a embaixadas e autoridades dos EUA.
Durante o período de paralisação, o Departamento de Estado dos EUA deverá avaliar os programas existentes para garantir que estejam alinhados às diretrizes da política externa do governo Trump.
A interrupção já tem impactos diretos em Manaus. Nesta segunda-feira (27), o escritório da agência da ONU que funcionava no Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) da Compensa, na Zona Oeste, encerrou as atividades, dispensando os profissionais que prestavam serviços no local.
Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a suspensão dos recursos deverá afetar milhares de imigrantes que dependem dos serviços de regularização migratória para obter residência temporária no Brasil.
Diariamente, o espaço recebia centenas de venezuelanos em busca de apoio. Sem a documentação necessária, muitos ficarão sem acesso a saúde, alimentação e outros direitos básicos.
A OIM, parceira do Governo Brasileiro na Operação Acolhida desde 2018, desempenha um papel crucial na regularização migratória e na assistência humanitária a venezuelanos que ingressam no Brasil pelo estado de Roraima.
Contudo, com a suspensão dos fundos, serviços essenciais como regularização migratória, proteção contra tráfico de pessoas, interiorização e assistência técnica para integração social estão em risco.
“Atualmente, 60% dos recursos da OIM no Brasil vêm dos Estados Unidos. A suspensão parcial das nossas atividades representa um grande desafio na gestão da crise humanitária envolvendo migrantes e refugiados. Isso impacta diretamente nossa infraestrutura, operações, manutenção de centros de acolhimento e equipes de trabalho“, destacou a entidade.
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Em nota, a OIM de Manaus informou que pretende continuar colaborando com o Governo Federal e as administrações locais dentro das possibilidades.
“Seguiremos empenhados em nossa missão de proteger pessoas em movimento e promover uma migração ordenada, digna e humanizada, que traga benefícios tanto para os migrantes quanto para as comunidades de acolhimento”, afirmou a organização.


