Estado já tem mais de 530 mil pessoas afetadas; alagamentos, doenças e impactos na educação preocupam municípios como Manaus e Manacapuru
Quase metade dos municípios do Amazonas teve a situação de emergência reconhecida pelo Governo Federal devido à cheia dos rios que atinge o estado. Nesta semana, os municípios de Juruá, Manaquiri e Santo Antônio do Içá passaram a integrar a lista de áreas em situação de desastre por inundações, elevando para 30 o total de cidades amazonenses com esse status. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira (2).
Com o reconhecimento, as prefeituras estão autorizadas a solicitar recursos federais para ações de ajuda humanitária, como distribuição de cestas básicas, água potável, kits de higiene e limpeza, além de alimentação para as equipes que atuam nas áreas atingidas.
Além das 30 cidades com emergência por inundações, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) também reconheceu a situação de emergência em Barreirinha, por conta das chuvas intensas, e em Carauari, devido à erosão fluvial. O município de Borba é o único com dois reconhecimentos simultâneos: por inundações e por fortes chuvas.
Cidades com situação de emergência reconhecida:
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Por inundações: Amaturá, Anamã, Apuí, Benjamin Constant, Boa Vista do Ramos, Boca do Acre, Borba, Caapiranga, Careiro, Careiro da Várzea, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Guajará, Humaitá, Ipixuna, Itamarati, Japurá, Juruá, Jutaí, Manacapuru, Manaquiri, Manicoré, Maraã, Novo Aripuanã, Santo Antônio do Içá, São Paulo de Olivença, Tefé, Tonantins, Urucurituba.
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Por chuvas intensas: Barreirinha e Borba.
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Por erosão fluvial: Carauari.
Para acessar os recursos, as administrações municipais devem apresentar um plano de trabalho por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD). O documento é analisado pela equipe técnica da Defesa Civil Nacional, e, após aprovação, os repasses são oficializados em nova portaria publicada no DOU.
Mais de 530 mil pessoas afetadas
De acordo com boletim da Defesa Civil do Amazonas, divulgado na quinta-feira (3), mais de 530 mil pessoas já foram atingidas pela cheia no estado. A população enfrenta dificuldades como alagamentos em residências, prejuízos à produção rural e dificuldades de locomoção.
Ao todo, 40 dos 62 municípios do Amazonas estão com situação de emergência decretada pelo governo estadual. Os impactos variam conforme a região e os rios que cortam cada localidade.
Municípios mais impactados incluem:
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Rio Juruá: Guajará, Ipixuna, Itamarati, Eirunepé, Juruá, Carauari
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Rio Purus: Boca do Acre
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Rio Madeira: Borba, Nova Olinda do Norte, Apuí, Humaitá, Manicoré, Novo Aripuanã
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Rio Solimões: Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Santo Antônio do Içá, Tonantins, Amaturá, Fonte Boa, Maraã, São Paulo de Olivença, Japurá, Tefé, Coari, Jutaí, Careiro da Várzea, Careiro, Manaquiri, Anamã, Anori, Caapiranga
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Rio Negro: Itacoatiara, Itapiranga, Boa Vista dos Ramos, Santa Isabel do Rio Negro
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Rio Amazonas: Urucurituba
Além disso, outros 18 municípios estão em estado de alerta e quatro seguem com a situação considerada normal.
Em Manaus, o nível do Rio Negro ultrapassou a cota de inundação severa no dia 28 de junho. Nesta sexta-feira (4), o rio chegou a 29,04 metros, alagando ruas no entorno do Mercado Municipal Adolpho Lisboa, um dos principais pontos turísticos da cidade.
Situação crítica em Manacapuru
Na Região Metropolitana, Manacapuru registra um dos cenários mais delicados, com cerca de 45 mil moradores afetados. A cheia já provoca doenças como diarreias e viroses, causadas pelo contato com a água contaminada, lixo e animais peçonhentos. Nesta sexta-feira, o Rio Solimões atingiu 19,75 metros, 13 centímetros acima da cota de severidade para o município.
Educação e ações de apoio
Segundo a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc), ao menos 444 alunos foram impactados pela enchente nos municípios de Anamã, Itacoatiara, Novo Aripuanã e Uarini. As atividades escolares seguem com o modelo remoto por meio do programa “Aula em Casa”.
Como forma de assistência emergencial, o Governo do Amazonas já enviou 580 toneladas de cestas básicas, 2.450 caixas d’água de 500 litros, 57 mil copos de água potável fornecidos pela Cosama, além de dez kits purificadores do programa Água Boa e uma Estação de Tratamento Móvel (Etam) para atender 18 municípios.
Também foram destinados 72 kits de medicamentos para Apuí, Boca do Acre, Manicoré, Humaitá, Ipixuna, Guajará e Novo Aripuanã, alcançando mais de 35 mil pessoas.
Manicoré foi contemplado com uma nova usina de oxigênio, com capacidade de produção de 30 metros cúbicos por hora, destinada ao hospital local. Já o município de Apuí recebeu seis cilindros de oxigênio como reforço de segurança.


