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Economia

Governo Lula encara tarifas de Trump como irreversíveis e articula reação internacional

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Com chances mínimas de recuo dos EUA, Planalto aposta em negociação, pressão política e possível retaliação para enfrentar sanções comerciais

Integrantes do governo brasileiro já tratam como praticamente irreversível a imposição de tarifas de 50% sobre produtos nacionais anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump. Com início previsto para 1º de agosto, a medida vem sendo interpretada em Brasília como uma retaliação política, especialmente por ter sido publicamente associada ao processo no qual o ex-presidente Jair Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF).

Embora oficialmente o governo ainda mantenha aberta a porta da negociação, fontes próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmam que as sinalizações da Casa Branca indicam que as sanções devem ser levadas adiante. Um dos indicativos mais preocupantes foi a revogação de vistos de autoridades brasileiras, como ministros do STF e o procurador-geral da República, o que reforça o tom de confronto.

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Segundo membros do alto escalão, Trump parece usar o Brasil como peça em seu tabuleiro político. Acredita-se que as tarifas não se baseiam em razões comerciais, já que os Estados Unidos mantêm um saldo superavitário de US$ 410 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. A associação direta feita por Trump entre as tarifas e o julgamento de Bolsonaro, em documentos e declarações, aponta para motivações políticas.

Para o Planalto, a leitura é clara: a imposição das tarifas se dá em resposta à situação judicial do ex-presidente Bolsonaro, como forma de pressionar o atual governo e tentar interferir no cenário político brasileiro, possivelmente com vistas às eleições de 2026.

Estratégia em três frentes

Diante desse cenário, o governo federal segue com uma estratégia dividida em três frentes:

  1. Negociação formal: liderada pelo vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, com interlocutores norte-americanos no Departamento de Comércio.

  2. Sensibilização de atores políticos e empresariais nos EUA: com o objetivo de mostrar os impactos das tarifas na economia americana, especialmente no consumo de produtos brasileiros como café e suco de laranja.

  3. Preparação para eventual retaliação: inclusive com estudos sobre setores que possam ser atingidos, como medicamentos e produtos audiovisuais.

Uma missão parlamentar brasileira, liderada pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS), deve ir a Washington nos próximos dias para tentar reverter a decisão, conversando com congressistas e membros do governo dos EUA.

No entanto, interlocutores do Planalto admitem dificuldades em abrir canais diplomáticos tradicionais. Segundo eles, as decisões vêm sendo tomadas por um núcleo político próximo a Trump, com influência direta de aliados de Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos.

Reação em curso

Lula já afirmou em pronunciamento oficial que o Brasil não aceitará “chantagem” e prometeu responder com todos os instrumentos legais disponíveis. Entre as possibilidades estão recursos à Organização Mundial do Comércio (OMC) e até o uso da chamada Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional.

Em meio às discussões, chegou a ser ventilada a possibilidade de tributar plataformas digitais americanas, mas o Ministério da Fazenda negou que essa seja uma medida em avaliação neste momento. O ministro Fernando Haddad reforçou que propostas mais duras sobre dividendos ou controle sobre serviços digitais ainda não estão na mesa.

Apesar do silêncio estratégico sobre possíveis medidas de retaliação, circulam rumores de que o governo possa mirar setores sensíveis dos EUA como forma de resposta.

Com pouco mais de uma semana até o início da vigência das tarifas, a tensão entre os dois países aumenta, e o governo brasileiro se prepara para um embate que poderá redefinir as relações comerciais e diplomáticas entre Brasília e Washington nos próximos anos.

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