A reativação do vírus da herpes-zoster, o mesmo que causa a catapora, foi associada a um aumento no risco de desenvolver demência, incluindo Alzheimer, segundo um estudo publicado na revista científica Nature Medicine. A pesquisa utilizou dados de mais de 100 milhões de pessoas e revelou que a vacinação contra o herpes-zoster tem efeito protetor, reduzindo em até 20% o risco de declínio cognitivo.
A herpes-zoster ocorre quando o vírus varicela-zoster (VVZ), que permanece inativo após um episódio de catapora, é reativado no organismo. A doença causa lesões dolorosas na pele e é popularmente conhecida como “cobreiro”.
O estudo, realizado pela farmacêutica GSK, analisou dados de milhões de americanos e concluiu que indivíduos vacinados contra o herpes-zoster apresentaram menor incidência de demência. Segundo os pesquisadores, a ligação pode estar relacionada à redução de inflamações e à proteção contra danos neurológicos provocados por infecções virais.
A vacina, indicada para pessoas acima dos 50 anos, mostrou-se especialmente eficaz na redução do risco de Alzheimer. Atualmente, o imunizante está disponível apenas na rede privada, com custo médio de R$ 2 mil para as duas doses. O Ministério da Saúde estuda a possibilidade de incluí-la no Plano Nacional de Imunização (PNI), o que permitiria a aplicação gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Embora ainda sejam necessários mais estudos para entender o mecanismo biológico exato dessa relação, os pesquisadores reforçam que a vacinação é uma ferramenta importante tanto para prevenir a herpes-zoster quanto para reduzir os riscos de doenças cognitivas em longo prazo.


