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Cultura

Hoje é Dia da Tatuagem: de prática milenar à arte que mexe com a mente

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Muito além da estética, a tatuagem carrega histórias, afeto, identidade e até benefícios para a autoestima e a saúde emocional

Hoje comemoramos o Dia da Tatuagem, uma prática que, muito além da estética, carrega histórias, significados e até benefícios psicológicos. Embora esteja cada vez mais presente nas ruas, nas redes sociais e até nos escritórios, o costume de marcar a pele com tinta é muito mais antigo do que parece, e vem atravessando séculos, culturas e transformações sociais.

Uma tradição milenar

Os primeiros registros de tatuagens datam de mais de 5 mil anos. A múmia de Ötzi, encontrada nos Alpes e datada de 3.300 a.C., exibe cerca de 60 marcas tatuadas no corpo, provavelmente com fins terapêuticos ou ritualísticos. Povos do Egito, da Polinésia, do Japão, da China e das Américas também utilizaram a tatuagem como expressão espiritual, símbolo de status ou rito de passagem.

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Ao longo da história, no entanto, a tatuagem oscilou entre prestígio e marginalização. Na Europa medieval, foi associada à punição e, mais tarde, passou a ser vista como símbolo de rebeldia, ligada a marinheiros, prisioneiros e grupos de resistência. Foi apenas no século XX que ela começou a ganhar status de arte corporal.

O setor hoje: crescimento, profissionalização e pluralidade

De marginalizada à queridinha das redes sociais, a tatuagem vive hoje um momento de ouro. Só no Brasil, estima-se que haja mais de 20 mil estúdios em atividade. A profissionalização do setor, o avanço tecnológico e a maior preocupação com biossegurança transformaram o ofício em uma indústria robusta, com artistas especializados em diferentes estilos, eventos internacionais e até regulamentação em alguns estados.

“O setor cresceu muito nos últimos anos. Antigamente, tatuar era visto como um bico, hoje é a minha principal fonte de renda”, afirma Gabriel Lam, tatuador há 8 anos e especialista em old school. Para ele, a mudança de percepção da sociedade ajudou a profissionalizar ainda mais o trabalho. “Hoje as pessoas entendem que é arte. E querem tatuagens com significado, com personalidade. Cada desenho é uma conversa com a pele.”

Foto Arquivo: Clóvis Haniel

Segundo Gabriel, o avanço da indústria foi um dos principais motores dessa transformação:

“Eu vi uma evolução muito forte na qualidade dos materiais, na precisão das agulhas e das máquinas. Isso impulsionou a cena da tatuagem e abriu espaço para muitos artistas novos com técnicas diferentes. Em lugares com convenções frequentes, a cena cresceu de forma exponencial.”

Apaixonado pelo estilo old school, Gabriel conta que encontrou nele sua identidade como artista:

“Comecei desenhando neo-tradicional, que tem como base o old school. Ao estudar mais sobre o estilo, me apaixonei. Ele tem uma durabilidade incrível na pele, continua vivo e bonito com o tempo.”

Sobre os significados por trás dos desenhos, ele explica que nem todo cliente procura uma tatuagem simbólica, mas o afeto está sempre presente:

“Tem gente que só quer um desenho bonito, mas vejo muita tatuagem feita por amor: homenagem para a mãe, o pai, o filho, um amigo, ou uma lembrança marcante. O afeto é um dos principais significados que as pessoas colocam na pele.”

E quando a tatuagem é bem feita, o resultado costuma ser um ciclo sem fim:

“As pessoas não param. A tatuagem mexe com a autoestima. A pessoa se olha no espelho, acha lindo, quer mais. Quando a arte é pensada para o corpo dela, bem aplicada, sem machucar a pele… ela se empolga e volta. É como se a tatu fizesse a pessoa se sentir mais ela mesma.”

Foto Arquivo: Gabriel Lam

Para conhecer mais do trabalho do tatuador Gabriel Lam, acompanhe seu perfil no Instagram: @lammtattoo

Tatuar também mexe com o cérebro

Para além da estética, a tatuagem também impacta a saúde emocional. Segundo estudos publicados na National Library of Medicine, o ato de tatuar pode estimular a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer e recompensa. Isso explicaria, em parte, por que muitas pessoas sentem vontade de repetir a experiência.

“É comum que alguém faça a primeira tatuagem como uma forma de marcar uma fase da vida, e acabe voltando para mais. O corpo se transforma em uma narrativa visual da identidade da pessoa”, explica a psicóloga clínica Mariana Lins, especialista em comportamento e imagem corporal.

Além disso, a tatuagem pode servir como ferramenta terapêutica. Algumas pessoas usam o processo para ressignificar cicatrizes, superar traumas ou expressar emoções que não conseguem verbalizar. “É uma forma de retomar o controle sobre o próprio corpo”, afirma Lins.

Esse entendimento também aparece entre quem escolhe ser tatuado. Para o publicitário Clovis Haniel, de 23 anos, cada traço na pele é uma extensão de si mesmo:

“Eu acredito que a tatuagem é uma forma de expressar quem você é, o que viveu e no que acredita. Faz parte da história de vida.”

Por que quem faz uma tatuagem quer logo fazer outra?

Um estudo publicado na revista científica Inkscape Psychology apontou que mais da metade dos indivíduos tatuados relatam o desejo de repetir a experiência poucos meses após a primeira sessão. Entre os principais motivos estão:

  • A sensação de bem-estar gerada durante o processo;

  • A valorização da autoimagem e da autoestima;

  • O sentimento de pertencimento a um grupo ou identidade;

  • A criação de um “álbum” emocional gravado na pele.

“Tem gente que começa com uma tatuagem pequena e logo volta pedindo uma manga inteira. É como se cada desenho puxasse o próximo”, comenta Gabriel. “E é muito comum a pessoa dizer: ‘Agora me sinto mais eu.”

Muito além da moda

Embora as tatuagens estejam cada vez mais populares, a decisão de marcar o corpo continua carregando significados profundos. Para alguns, é um ato de empoderamento; para outros, uma homenagem; para muitos, uma maneira de se sentir mais bonito, mais forte ou mais inteiro.

Neste Dia da Tatuagem, vale lembrar que por trás de cada traço na pele pode haver uma história que o espelho não revela, mas que a arte, com agulha e tinta, eterniza.

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