O Ibovespa atingiu nesta quarta-feira (29) um novo recorde histórico ao superar, pela primeira vez, a marca dos 148 mil pontos, impulsionado pelo otimismo dos investidores diante da reunião do Federal Reserve (Fed) e da expectativa de um novo corte de juros nos Estados Unidos.
O dólar, por sua vez, operava em queda, refletindo o maior apetite por risco dos investidores e o possível avanço de negociações comerciais entre os presidentes Donald Trump (EUA) e Xi Jinping (China), que se reúnem nesta quinta-feira (30).
Dólar em baixa e bolsa em alta
Por volta das 11h21, o dólar caía 0,37%, sendo negociado a R$ 5,34. Mais cedo, chegou à mínima de R$ 5,336 e à máxima de R$ 5,366. Na véspera, a moeda americana havia fechado a R$ 5,359, acumulando ganhos de 0,7% no mês, mas queda de 13,27% no ano frente ao real.
O Ibovespa, principal índice da B3, subia 0,78%, alcançando 148,5 mil pontos, o maior nível já registrado. No pregão anterior, o índice havia encerrado em alta de 0,31%, aos 147,4 mil pontos, então seu recorde histórico de fechamento. Em outubro, o índice acumula valorização de 0,82%, e, em 2025, um ganho expressivo de 22,57%.
Expectativa de corte de juros pelo Fed
O foco dos mercados está na decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), que deve anunciar mais um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros dos EUA, reduzindo-a para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano.
Na última reunião, em setembro, o Fed já havia promovido uma redução semelhante, o primeiro corte de 2025, após um ciclo de alta iniciado em 2022 para conter a inflação. O mercado aposta em mais dois cortes até o fim do ano, com a próxima reunião marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.
A expectativa de juros mais baixos nos EUA tende a favorecer ativos de risco, como ações, e enfraquecer o dólar, beneficiando economias emergentes como o Brasil.
Tensão política e sucessão no Fed
A véspera da decisão foi marcada por novas críticas do presidente Donald Trump ao atual chefe do Fed, Jerome Powell, a quem chamou de “incompetente”. Trump afirmou que Powell deixará o cargo em maio de 2026 e que “um novo nome” será escolhido em breve.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, revelou os cinco “finalistas” cotados para o cargo, entre eles Christopher Waller, Michelle Bowman, Kevin Warsh, Kevin Hassett e Rick Rieder, da BlackRock. A decisão caberá a Trump, e o indicado precisará ser aprovado pelo Senado norte-americano.
Reunião entre Trump e Xi Jinping anima o mercado
Outro fator de otimismo é o aguardado encontro entre Trump e Xi Jinping, que pode resultar em um acordo comercial entre as duas maiores economias do planeta. Segundo o governo americano, o entendimento incluiria a suspensão de novas tarifas e o adiamento de controles de exportação impostos pela China.
Autoridades chinesas confirmaram que as conversas recentes foram “construtivas” e que um acordo preliminar já foi alcançado, faltando apenas os trâmites internos para a assinatura.
Senado dos EUA revoga tarifas contra o Brasil
Enquanto isso, o Senado norte-americano aprovou, por 52 votos a 48, um projeto de lei que revoga as tarifas impostas ao Brasil pelo governo Trump. O texto, apresentado pelo democrata Tim Kaine, ainda precisa ser analisado pela Câmara dos Deputados.
As tarifas, que chegavam a 50% sobre produtos brasileiros, foram justificadas por Trump como resposta à “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
Apesar da incerteza sobre a aprovação final, a decisão do Senado foi bem recebida pelo mercado e vista como um gesto de aproximação entre os dois países.
“Essas tarifas são destrutivas para a economia e para as relações comerciais com parceiros históricos dos EUA, como o Brasil”
Afirmou o senador Tim Kaine.
Com os olhos voltados para a decisão do Fed e para as negociações entre EUA e China, o mercado financeiro vive um dia histórico, marcado pelo recorde do Ibovespa e pela queda do dólar, em um cenário de otimismo global.


