Implante contraceptivo de longa duração deve ampliar acesso a métodos eficazes e reduzir gestações não planejadas no Brasil
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer gratuitamente o Implanon, um dos métodos contraceptivos mais eficazes e modernos do mundo. A distribuição começará no segundo semestre de 2025, com a expectativa de beneficiar milhões de mulheres em idade fértil nos próximos anos.
A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde no início de julho e representa um marco nas políticas públicas voltadas à saúde reprodutiva. O objetivo é garantir maior autonomia para mulheres na prevenção da gravidez e ampliar o acesso aos chamados métodos reversíveis de longa duração (LARC).
O Implanon é um pequeno bastão flexível, com cerca de 4 cm, inserido sob a pele do braço. Ele libera gradualmente o hormônio etonogestrel, que inibe a ovulação e promove alterações no muco cervical, dificultando a fecundação. O implante tem duração de até três anos e eficácia superior a 99%, com retorno rápido da fertilidade após a remoção.
Meta de 1,8 milhão de implantes
Segundo o Ministério da Saúde, a meta é distribuir 1,8 milhão de implantes até 2026, sendo 500 mil ainda em 2025. O investimento previsto é de cerca de R$ 245 milhões, que também inclui capacitação de profissionais da atenção básica para inserção e retirada do implante, além da atualização de protocolos e diretrizes clínicas.
Atualmente, o Implanon já é oferecido no SUS de forma restrita a grupos específicos, como mulheres com HIV, tuberculose, em uso de medicamentos teratogênicos (como a talidomida) ou em situação de vulnerabilidade social. Com a nova política, o método será ampliado para todas as mulheres entre 18 e 49 anos, mediante avaliação em unidades básicas de saúde (UBS).
A iniciativa também integra as metas do governo federal para reduzir a mortalidade materna e ampliar o acesso a direitos reprodutivos, especialmente entre mulheres negras, indígenas e em situação de vulnerabilidade.
Estudos internacionais mostram que o uso de LARCs reduz significativamente as taxas de gravidez não planejada, além de gerar economia ao sistema de saúde no médio e longo prazo.
Para a ginecologista Dra. Ana Paula Oliveira, especialista em cirurgia ginecológica, histeroscopia, uroginecologia, DIU, Implanon, reposição hormonal, conização, mioma, histerectomia, laqueadura e tumor de ovário, formada pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a chegada do Implanon ao SUS é um avanço importante e necessário:
“O Implanon representa uma ferramenta poderosa no planejamento reprodutivo. É seguro, discreto, eficaz e dá à mulher mais autonomia sobre seu corpo. Ter esse método disponível na rede pública democratiza o acesso à contracepção moderna e diminui desigualdades na saúde da mulher.”
Ela reforça que, apesar da eficácia e da praticidade, é fundamental que a escolha do método seja feita com acompanhamento médico individualizado, respeitando o histórico de saúde e os objetivos de cada paciente.
Desafios
Apesar do avanço, especialistas alertam para a necessidade de investimento na capacitação de equipes, especialmente em municípios pequenos e com baixa cobertura ginecológica. A inserção do Implanon exige técnica específica e acompanhamento profissional.
A expectativa é que, com o Implanon, o SUS fortaleça sua atuação na promoção da saúde sexual e reprodutiva, garantindo mais opções para as mulheres brasileiras escolherem, de forma segura e informada, como e quando desejam engravidar.


