Após o Congresso barrar decretos que aumentavam o tributo, governo busca alternativas para compensar perdas de arrecadação e manter o equilíbrio das contas públicas
O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) tornou-se, nas últimas semanas, foco de disputa entre o Executivo e o Congresso Nacional. O motivo foi a decisão dos parlamentares de derrubar três decretos presidenciais que aumentavam a alíquota do imposto em determinadas operações, como empréstimos e câmbio.
Com isso, o governo federal projeta uma perda de arrecadação estimada em R$ 10 bilhões ainda este ano e cerca de R$ 40 bilhões em 2026, segundo dados do Ministério da Fazenda. A decisão também reacende o debate sobre a meta fiscal prevista para o próximo ano e levanta questionamentos sobre possíveis impactos ao cidadão.
O que é o IOF?
O IOF é um tributo federal que incide sobre operações financeiras realizadas por pessoas físicas e jurídicas. Estão entre as transações mais comuns afetadas pelo imposto:
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Empréstimos e financiamentos bancários;
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Uso do cartão de crédito parcelado;
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Contratação de seguros;
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Compra de moeda estrangeira;
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Aplicações e resgates em investimentos.
Além de arrecadar recursos, o IOF é utilizado pelo governo como instrumento para regular a economia, influenciando a oferta de crédito e o fluxo de capital no país.
O que o governo propôs
Os decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025 ajustavam a cobrança do IOF em determinadas operações financeiras. A medida era considerada estratégica pela equipe econômica para reforçar a arrecadação federal e viabilizar o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê um superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 31 bilhões.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o aumento não implicaria em nova cobrança, mas sim na correção de distorções e na eliminação de brechas que poderiam facilitar a sonegação.
Por que os decretos foram derrubados
A derrubada dos decretos ocorreu após articulação no Congresso Nacional. Parte dos parlamentares alegou que a medida representava, na prática, um aumento de tributos realizado por meio de decreto, sem a devida discussão legislativa.
A decisão contou inclusive com votos da base aliada e se insere em um momento de maior resistência política a propostas que envolvam aumento da carga tributária.
Consequências para o governo
Com a revogação dos decretos, o governo agora precisa encontrar alternativas para recompor as perdas e evitar o descumprimento da meta fiscal. Entre as medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, estão:
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Corte de aproximadamente R$ 15 bilhões em benefícios fiscais concedidos a setores específicos;
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Aprovação de uma Medida Provisória que amplia a cobrança de tributos sobre apostas eletrônicas (bets), criptomoedas e fintechs.
Ainda não há confirmação se o governo recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão do Congresso. A Advocacia-Geral da União (AGU) deve se manifestar sobre o tema nos próximos dias.
Impacto na vida do cidadão
Em um primeiro momento, a derrubada do aumento do IOF pode significar algum alívio para consumidores que realizariam operações atingidas pela alíquota, como empréstimos bancários ou compra de moeda estrangeira.
No entanto, especialistas alertam que, diante da perda de arrecadação, o governo pode ser obrigado a adotar outras medidas que afetam diretamente a população, como:
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Aumento de outros impostos;
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Redução de gastos públicos e investimentos;
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Desaceleração de programas sociais ou de infraestrutura;
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Aumento de incertezas econômicas e instabilidade no mercado.
Próximos passos
Após o recesso parlamentar, o governo deve apresentar uma nova proposta de reestruturação dos benefícios fiscais, com base em sugestões discutidas com lideranças políticas. O objetivo é construir uma alternativa que respeite os setores protegidos por normas constitucionais, ao mesmo tempo em que busca garantir o equilíbrio fiscal.
O tema deve permanecer em destaque na pauta econômica e política do país nas próximas semanas, à medida que o governo tenta assegurar o cumprimento das metas fiscais e conter o desgaste provocado pela derrota no Congresso.


