O pastor e ativista norte-americano Jesse Jackson morreu aos 83 anos nesta terça-feira, conforme comunicado divulgado pela família.
“Ele morreu hoje em paz, rodeado pela sua família”, informou a nota oficial.
Reconhecido como uma das principais lideranças do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, Jackson construiu uma trajetória marcada pela defesa da justiça social, da igualdade racial e dos direitos humanos.
Voz ativa na política e nas ruas
Figura central no cenário político das décadas de 1980 e 1990, Jackson concorreu duas vezes, em 1984 e 1988, à nomeação presidencial pelo Partido Democrata, ampliando o debate sobre as demandas da comunidade negra no país.
Segundo a família, ele foi um “artífice incansável da mudança”, responsável por mobilizar milhões de eleitores e fortalecer a participação política de minorias.
“O nosso pai foi um líder ao serviço dos outros, não só da nossa família, mas também dos oprimidos e dos que não tinham voz”, destacou o comunicado.
Presença em momentos históricos
Nascido em um período de forte segregação racial nos Estados Unidos, Jackson esteve presente em marcos decisivos da luta por igualdade. Em 1968, estava em Memphis ao lado de Martin Luther King Jr. no dia em que o líder foi assassinado.
Ao longo das décadas, manteve atuação constante em movimentos sociais e campanhas por direitos civis, consolidando-se como uma das figuras mais influentes da causa no país.
Doença e atuação recente
Em 2017, Jackson anunciou que havia sido diagnosticado com a doença de Parkinson, o que reduziu suas aparições públicas. Ainda assim, continuou a se posicionar contra a injustiça racial.
Durante os protestos do movimento Black Lives Matter, ele participou de manifestações e defendeu o fim da violência policial. Em Minneapolis, antes da condenação do policial envolvido na morte de George Floyd, afirmou:
“Mesmo que ganhemos, isso será um alívio, não uma vitória. Continuam a matar o nosso povo. Parem a violência, salvem as crianças. Mantenham a esperança viva”.
Controvérsias e legado
A trajetória de Jackson também incluiu episódios controversos, como o uso de um termo antissemita em 1984 para se referir a Nova York e o apoio ao cantor Michael Jackson durante o julgamento por abuso sexual de menores em 2005.
Apesar das críticas, sua atuação política e social o consolidou como uma das figuras centrais da história recente dos direitos civis nos Estados Unidos, deixando um legado duradouro na mobilização por igualdade e representatividade.


