Combs enfrenta uma acusação de conspiração para extorsão, duas de tráfico sexual por força, fraude ou coerção e duas de transporte para prostituição.
O julgamento de Sean “Diddy” Combs, um dos nomes mais influentes da música e da cultura nas últimas décadas, acusado de tráfico sexual, teve início nesta segunda-feira (5) em Nova York com a seleção do júri. Doze jurados e seis suplentes serão escolhidos, e as alegações iniciais estão previstas para começar em 12 de maio. O processo deve se estender por ao menos oito semanas.
Combs enfrenta uma acusação de conspiração para extorsão, duas de tráfico sexual por força, fraude ou coerção e duas de transporte para prostituição. Ele se declarou inocente. Os crimes alegados teriam ocorrido entre 2004 e 2024, com duas acusações adicionadas um mês antes do julgamento.
Segundo a acusação, o magnata teria coagido e abusado de mulheres por anos com auxílio de uma rede de colaboradores, silenciando vítimas por meio de chantagem, violência, sequestro e até incêndio criminoso. Os promotores afirmam que ele usou o “poder e prestígio” para levar mulheres a performances sexuais sob efeito de drogas em eventos chamados de “freak offs”.
Pouco antes do julgamento, revelou-se que Combs recusou um acordo judicial que poderia reduzir a pena. Os termos da proposta não foram divulgados.
- Leia mais: Caso Diddy: saiba como eram as festas do rapper
- Prisão de Diddy: escândalos de orgia, violência e drogas vem à tona
Testemunhas e provas
Quatro acusadoras não identificadas publicamente devem testemunhar. Entre as evidências, está um vídeo de segurança que mostra Combs agredindo a cantora Cassie (Cassandra Ventura) em um hotel de Los Angeles em 2016 (veja vídeo abaixo).
A defesa argumentará que o governo está distorcendo relações consensuais entre adultos. Os advogados de Combs já declararam que duas de suas ex-namoradas teriam incluído voluntariamente uma profissional do sexo em relacionamentos.
Cassie, que teve um relacionamento conturbado com Combs por mais de dez anos, moveu um processo em 2023 alegando anos de abuso, incluindo estupro. A ação foi o estopim para as investigações que culminaram no atual julgamento.
O julgamento ocorre no tribunal do Juiz Distrital Arun Subramanian. A acusação conta com oito promotores, sete deles mulheres, incluindo Maurene Ryan Comey, filha do ex-diretor do FBI James Comey, que atuou no caso Ghislaine Maxwell.
A defesa, liderada pelo advogado nova-iorquino Marc Agnifilo, inclui Brian Steel, que defendeu Young Thug antes do rapper aceitar um acordo de culpa.
Combs, de 55 anos, está detido em uma penitenciária federal no Brooklyn desde setembro. O cabelo, antes tingido de preto, agora está grisalho, já que tinturas são proibidas no local.
Embora tenha usado uniformes amarelos da prisão em audiências prévias, o juiz permitiu que ele vestisse roupas civis durante o julgamento, com restrições específicas. Imagens do tribunal não serão liberadas, apenas ilustrações.
Alegações envolvendo outras celebridades
Desde 2023, dezenas de processos acusam Combs de abuso sexual e físico, muitos alegando que vítimas foram drogadas em eventos promovidos por ele.
Embora algumas ações mencionem a presença de outras celebridades, a maioria das alegações ainda não foi comprovada. Combs nega todas as acusações por meio dos advogados.
O caso continua sob forte atenção da mídia, com desdobramentos esperados nas próximas semanas.


