A convocação acontece em meio à presença de navios de guerra americanos na costa da Venezuela
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou nesta sexta-feira (22) que integrantes da Milícia Nacional Bolivariana se apresentem a partir deste sábado (23) em quartéis militares, praças públicas e nas mais de 15 mil bases populares de defesa integral espalhadas pelo país.
Em comunicado divulgado no Telegram, Maduro afirmou que a união entre poder popular, forças militares e policiais é “garantia da vitória” e destacou o papel dos milicianos no que chamou de defesa da pátria.
“Convoco um processo de alistamento nacional para a Milícia Bolivariana no próximo sábado, 23 de agosto, e domingo, 24 de agosto (…). Vocês merecem o reconhecimento que a pátria põe no peito para continuar a batalha”
Declarou.
Plano de paz e segurança
No início da semana, Maduro já havia anunciado o envio de 4,5 milhões de milicianos para cidades de todo o território, como parte de um “plano de paz” do governo, com a justificativa de garantir soberania, integridade territorial e segurança. Também prometeu criar três novas zonas de desenvolvimento e segurança na fronteira com a Colômbia, sem detalhar como irão funcionar.
Tensão com os Estados Unidos
A convocação ocorre em meio ao envio de navios de guerra americanos para a costa venezuelana, com cerca de 4 mil militares, segundo autoridades dos EUA, sob a justificativa de combater cartéis de drogas na região.
Maduro classificou a ação como uma “ameaça à paz regional” e uma violação do direito internacional.
O que é a Milícia Bolivariana
Criada pelo ex-presidente Hugo Chávez, a Milícia Nacional Bolivariana é considerada um braço das Forças Armadas venezuelanas. Seus integrantes, em grande parte voluntários, recebem treinamento básico, armas em alguns casos, e atuam em funções de defesa territorial, segurança interna e apoio a projetos sociais.
No entanto, opositores acusam o grupo de funcionar como uma força paramilitar a serviço do governo para reprimir manifestações e controlar a população. A ONU já manifestou preocupação, registrando relatos de perseguição a defensores de direitos humanos e uso político da milícia.
Recompensa dos EUA por Maduro
O aumento da tensão diplomática também se intensifica após os Estados Unidos dobrarem a recompensa por informações que levem à prisão de Maduro: agora em US$ 50 milhões, contra os US$ 25 milhões oferecidos anteriormente.
Washington acusa o presidente venezuelano de chefiar o Cartel dos Sóis, organização criminosa que facilitaria o envio de toneladas de cocaína para os EUA. Em vídeo publicado na rede X, a procuradora-geral Pam Bondi também ligou Maduro a grupos criminosos como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.
Maduro, por sua vez, nega as acusações e classifica as medidas americanas como parte de uma ofensiva política contra seu governo.
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