Levantamento aponta que 55% da população têm baixo conhecimento sobre finanças, enquanto 39% enfrentam endividamento; impacto das apostas online e golpes bancários também preocupam
Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) a pedido da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) mostrou que a maioria dos brasileiros admite entender pouco ou nada sobre educação financeira. De acordo com o levantamento, 55% dos entrevistados afirmaram ter baixo conhecimento sobre o tema, sendo 40% que dizem compreender “pouco” e 15% que não entendem “nada”.
O estudo, que ouviu 3 mil pessoas entre os dias 12 e 26 de junho de 2025, também revelou que, apesar do baixo conhecimento, a população reconhece a importância da educação financeira para o controle das finanças pessoais. Quase 80% afirmam dar muita ou alguma atenção ao acompanhamento financeiro, e 91% consideram o tema importante para a vida pessoal e profissional.
Endividamento e uso do crédito
O levantamento mostrou que 39% dos brasileiros estão atualmente endividados. Desses, 48% acreditam que conseguirão reduzir suas dívidas até o final do ano, mas 23% temem que o endividamento piore. O estudo indicou que 61% utilizam com frequência ou eventualmente algum tipo de crédito, como cartões ou empréstimos, e 66% têm cartão de crédito em uso ativo.
Entre os endividados, 77% afirmaram que o peso das dívidas afeta sua saúde emocional ou qualidade de vida, evidenciando o impacto psicológico da situação financeira.
Apostas online e golpes
Outro ponto que chamou atenção na pesquisa foi o aumento do impacto negativo das apostas online (Bets) no orçamento familiar. Para 81% dos entrevistados, o efeito das apostas é negativo ou muito negativo, e 37% relataram conhecer alguém ou ter sofrido prejuízo diretamente devido a esse tipo de prática.
Além disso, 39% dos brasileiros afirmam já ter sido vítimas de algum golpe ou tentativa de golpe bancário, com destaque para clonagem de cartões, golpes via WhatsApp e falsos Pix.

Conhecimento restrito sobre educação financeira
Segundo o levantamento, quase metade dos brasileiros associa a educação financeira apenas ao controle do orçamento doméstico, enquanto poucos relacionam o tema a investimentos, formação de patrimônio ou estratégias para proteção contra imprevistos. Essa visão restrita pode limitar a adoção de práticas mais avançadas de gestão financeira.
Fontes de informação e interesse em aprendizado
Canais digitais lideram como principal fonte de informação financeira, apontados por 40% dos entrevistados, seguidos por familiares e amigos (17%) e instituições de ensino (15%). Cerca de metade da população demonstra interesse em participar de cursos ou iniciativas de educação financeira, e 70% defendem que o tema seja obrigatório nas escolas.
Avaliação dos bancos e necessidades futuras
A atuação dos bancos na promoção da educação financeira recebeu avaliações mistas, com 36% considerando-a boa ou ótima, mas 54% disseram nunca ter recebido orientação ao contratar produtos financeiros. Para a maioria, ainda há um longo caminho para ampliar o acesso e a qualidade da educação financeira no país.


