Mais de 30 navios-petroleiros que operam na Venezuela e estão sob sanções dos Estados Unidos passaram a enfrentar riscos adicionais após a apreensão de um superpetroleiro pela Guarda Costeira americana na costa do país, segundo dados do setor marítimo.
O navio interceptado transportava petróleo bruto venezuelano para exportação, e sua apreensão foi anunciada pelo presidente Donald Trump. Trata-se da primeira operação do tipo envolvendo uma carga de petróleo da Venezuela desde a imposição das sanções, em 2019, e também a primeira ação conhecida contra um petroleiro venezuelano desde o reforço militar ordenado pelo governo norte-americano na região.
A ação provocou forte alerta entre proprietários de navios, operadores e agências de navegação, levando muitos a reconsiderar se devem zarpar das águas venezuelanas nos próximos dias, segundo fontes marítimas. Especialistas avaliam que a apreensão pode causar atrasos imediatos na exportação de petróleo e afastar embarcações que atuam como intermediárias no transporte do produto.
Até então, os Estados Unidos não haviam interrompido de forma direta as exportações venezuelanas, feitas majoritariamente por navios de terceiros.
Venezuela reage e acusa Washington de pirataria
O governo venezuelano classificou a operação americana como “roubo descarado” e acusou os EUA de praticarem “um ato de pirataria internacional”.
O superpetroleiro apreendido, identificado por especialistas em gestão de risco como Skipper, integra a chamada “frota paralela”, formada por navios que operam fora dos padrões tradicionais e transportam petróleo sob sanções. Esses navios frequentemente desligam seus sistemas de rastreamento, disfarçam rotas e navegam sem seguro internacional, sendo amplamente utilizados desde o endurecimento das restrições impostas pelos EUA ao país membro da Opep.
Sanções anteriores já haviam provocado longos atrasos em embarques, obrigando navios carregados a esperar semanas ou meses para evitar conflitos diplomáticos e operacionais.
Frota paralela: milhares de navios, origens diversas
Dados do TankerTrackers.com mostram que, somente na última quarta-feira (10), mais de 80 embarcações carregadas ou aguardando carga estavam em águas venezuelanas ou próximas da costa — mais de 30 delas sob sanções americanas.
Um levantamento da Lloyd’s List Intelligence indica que a frota paralela global soma 1.423 petroleiros, sendo 921 deles sujeitos a sanções dos EUA, Reino Unido ou União Europeia. Em sua maioria, são navios antigos, com proprietários difíceis de rastrear e sem cobertura de seguro exigida por grandes petrolíferas e portos internacionais.
Esses navios transportam petróleo sancionado principalmente de Rússia, Irã e Venezuela para destinos da Ásia. Muitas dessas embarcações alternam entre cargas venezuelanas, iranianas e russas em viagens sucessivas, usando portos da estatal PDVSA e, frequentemente, navegando sob nomes falsos.
Após carregar a carga, é comum que os navios ocultem sua localização por longos períodos, especialmente quando atravessam o Atlântico com destino à Malásia ou à China.
A PDVSA não se manifestou sobre o caso.


