O narcotraficante Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, morreu no domingo (22) durante uma operação militar no estado de Jalisco, no oeste do México. A ação, segundo autoridades mexicanas, contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos.
A morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG) provocou uma onda imediata de violência, com ônibus incendiados, bloqueios de estradas e confrontos armados em diversas regiões do país.
Escalada de confrontos
De acordo com o secretário de Segurança e Proteção Cidadã do México, Omar García Harfuch, ao menos 25 integrantes da Guarda Nacional morreram nos confrontos em Jalisco.
As autoridades também confirmaram:
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1 civil morto
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30 supostos integrantes de grupos criminosos mortos
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70 pessoas presas em sete estados
Imagens registradas em Puerto Vallarta mostraram incêndios e colunas de fumaça em áreas urbanas e turísticas. Estabelecimentos comerciais, como farmácias e lojas de conveniência, foram atingidos.
A violência iniciada em Jalisco se espalhou rapidamente para outras regiões.
Alertas internacionais
Diante da instabilidade, diversos países emitiram alertas a seus cidadãos:
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O Departamento de Estado dos Estados Unidos recomendou que americanos busquem abrigo e permaneçam em hotéis ou residências.
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O governo do Canadá orientou seus cidadãos a evitarem deslocamentos nas áreas afetadas.
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O Reino Unido pediu extrema cautela e evitou viagens não essenciais.
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Autoridades da Austrália, China, Índia e Nova Zelândia também recomendaram atenção redobrada.
Companhias aéreas como a American Airlines e a Air Canada suspenderam voos para Puerto Vallarta. Posteriormente, a Agência Federal de Aviação Civil do México informou a retomada das operações nos aeroportos de Guadalajara, Puerto Vallarta e Tepic.
Quem era “El Mencho”
Ex-policial, Nemesio Oseguera tornou-se um dos criminosos mais procurados do mundo. Os Estados Unidos ofereciam recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura.
Líder do CJNG, ele era considerado o chefe de cartel mais poderoso do México após a prisão de Joaquín , ex-líder do Cartel de Sinaloa.
Segundo a Drug Enforcement Administration (DEA), o CJNG atua fortemente na produção e no tráfico de metanfetamina e fentanil, mantendo conexões internacionais e controle de portos estratégicos para importação de precursores químicos.
O grupo foi designado como organização terrorista pelos Estados Unidos em fevereiro de 2025.
Como foi a operação
A Secretaria de Defesa Nacional informou que a operação ocorreu no município de Tapalpa, em Jalisco, com participação de aeronaves da Força Aérea e da Força Especial de Reação Imediata da Guarda Nacional.
Segundo comunicado oficial:
“Durante a operação, o pessoal militar foi atacado e repeliu a agressão.”
Autoridades afirmam que integrantes do cartel ficaram feridos no confronto e morreram durante transporte aéreo para a Cidade do México.
Também foram apreendidas armas de grosso calibre, veículos blindados e lançadores de foguetes.
Impacto e incertezas
Apesar do golpe contra sua liderança, especialistas avaliam que a morte de “El Mencho” não significa o fim imediato do CJNG.
A DEA descreve o cartel como estruturado em formato semelhante a franquias, com dezenas de organizações associadas. Analistas apontam que a fragmentação pode gerar disputas internas e novas ondas de violência.
Enquanto isso, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum afirmou que “a paz, a segurança e a normalidade estão sendo mantidas”.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou que o México intensifique o combate aos cartéis e ao tráfico de drogas.
A situação segue em monitoramento, com forças de segurança mobilizadas e o país em estado de alerta.


