A partir desta sexta-feira (13), entra em vigor a nova norma da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece um padrão nacional para a emissão de receitas digitais de medicamentos controlados. A regulamentação foi aprovada em dezembro de 2025 e altera a forma como médicos e dentistas prescrevem esses medicamentos, além de modificar o processo de validação nas farmácias.
O objetivo da medida é aumentar a segurança, reduzir fraudes e ampliar o controle sanitário em todo o país.
O que muda na prática
Até então, receitas digitais já podiam ser emitidas com assinatura eletrônica, mas não havia um sistema nacional integrado de controle. Para medicamentos de tarja preta, permanecia obrigatória a Notificação de Receita em papel, conhecida como talão azul ou amarelo.
Com a nova regra, a prescrição digital de medicamentos controlados deverá ser feita em plataforma autorizada pela Anvisa, integrada ao Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR).
Cada receita passará a ter numeração única e vinculada ao profissional de saúde. No momento da dispensação, o farmacêutico poderá validar essa numeração no sistema, garantindo a autenticidade do documento e evitando reutilizações indevidas.
Entre as exigências que passam a valer imediatamente estão:
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Obrigatoriedade de CPF ou passaporte do paciente em todas as receitas controladas;
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A data da receita será a da assinatura digital, impedindo emissão retroativa ou pré-datada;
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O endereço individual do médico deixa de ser obrigatório quando constar o da instituição de saúde.
Quais receitas entram na nova regra
A norma abrange:
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Notificações de Receita (talões azul e amarelo);
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Prescrições de retinoides e talidomida;
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Receitas de Controle Especial;
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Receitas sujeitas à retenção, como antibióticos e medicamentos com GLP-1.
Até 1º de junho de 2026, os talões azul e amarelo ainda poderão ser utilizados em papel durante o período de transição. A integração completa das plataformas ao sistema da Anvisa será feita de forma gradual.
Projeto pode ampliar digitalização no Farmácia Popular
Paralelamente, tramita no Congresso um projeto que prevê ampliar a digitalização do acesso a medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por meio do chamado Farmácia Popular do Brasil Digital.
A proposta prevê integrar prescrição, autorização e dispensação ao aplicativo Meu SUS Digital. O paciente poderia gerar um token ou QR Code para retirada do medicamento em farmácias credenciadas. Há ainda previsão futura de entrega domiciliar para idosos e pessoas com deficiência.
O projeto ainda precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado antes de se tornar lei.
Impacto no varejo e para os pacientes
Especialistas avaliam que, caso o modelo digital avance, o setor farmacêutico precisará adaptar sistemas internos, treinar equipes para validação digital e revisar processos operacionais.
Para o paciente, não há mudança imediata no acesso ao medicamento. O que se altera é o modelo de emissão e validação da receita. Até junho, receitas em papel e digitais continuarão coexistindo.
A expectativa é que, após a consolidação da integração tecnológica, o formato eletrônico se torne o padrão nacional para medicamentos sujeitos a controle especial.


