Na Tailândia, as buscas continuam por 76 pessoas soterradas no desabamento de um prédio em construção em Bangkok.
A Junta Militar de Mianmar atualizou para 2.065 o número de mortos no terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o país na última sexta-feira (28). O tremor, um dos mais fortes já registrados na região, também causou destruição na Tailândia e foi sentido em partes da China, incluindo o desabamento de um arranha-céu em Bangkok.
Nesta segunda-feira (31), equipes de resgate ainda procuravam centenas de desaparecidos nos dois países. Governos como os da França e China confirmaram que cidadãos de suas nacionalidades estão entre as vítimas.
Em meio aos escombros, uma mulher foi resgatada com vida após 60 horas presa sob os destroços do Great Wall Hotel, em Mandalay, cidade próxima ao epicentro. O salvamento, realizado por equipes chinesas, russas e locais, durou cinco horas, segundo a embaixada chinesa. A sobrevivente encontra-se em estado estável.
Na Tailândia, as buscas continuam por 76 pessoas soterradas no desabamento de um prédio em construção em Bangkok. O governador Chadchart Sittipunt afirmou que, apesar do tempo crítico, as equipes não desistiram:
“Detectamos sinais fracos de vida. Na Turquia, pessoas sobreviveram após uma semana sob escombros”, disse, destacando o uso de cães farejadores e scanners térmicos.

Crise agravada pela Guerra Civil
O terremoto aprofundou a crise em Mianmar, país já devastado por uma guerra civil desde o golpe militar de 2021, que derrubou o governo eleito da Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Infraestruturas críticas – como pontes, aeroportos e estradas – foram danificadas, dificultando a ajuda humanitária.
Moradores próximos ao epicentro relataram à Reuters a falta de assistência governamental, deixando populações vulneráveis à própria sorte. Enquanto isso, a ONU mobilizou suprimentos para 23 mil sobreviventes.
“O tempo é essencial. Mianmar precisa de solidariedade global”, afirmou Noriko Takagi, representante da agência de refugiados da ONU no país.
Vários países, incluindo Índia, China, Tailândia, Malásia e Rússia, enviaram equipes e suprimentos. Os EUA anunciaram US$ 2 milhões em ajuda, mas enfrentam limitações devido a cortes orçamentários.
Enquanto isso, rebeldes denunciaram que o exército continua ataques aéreos a vilarejos mesmo após o terremoto. Cingapura pediu um cessar-fogo imediato para priorizar os resgates.
