Banda inglesa reúne formação original após duas décadas para apresentação final do “príncipe das trevas”, que luta contra o Parkinson desde 2019
Uma noite histórica marcou a despedida definitiva de Ozzy Osbourne dos palcos, neste sábado (5), em Birmingham, cidade natal do Black Sabbath, na Inglaterra. A apresentação, que integra o festival Back to the Beginning, reuniu pela primeira vez em 20 anos os integrantes originais da banda: Ozzy, o guitarrista Tony Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista Bill Ward.
Aos 76 anos e enfrentando a batalha contra o Parkinson desde 2019, Ozzy encerra uma trajetória de quase seis décadas como uma das figuras mais emblemáticas do heavy metal. A apresentação acontece no estádio Villa Park e tem caráter beneficente, com toda a renda revertida para instituições de caridade.
O evento reuniu dezenas de milhares de fãs e contou com performances de mais de uma dezena de bandas consagradas do rock e do metal. Entre os nomes que subiram ao palco estão Metallica, Slayer, Tool, Guns N’ Roses, Alice in Chains, Pantera e Gojira. Os artistas prestaram tributo ao Sabbath com versões de clássicos do grupo e repertórios próprios.

“A ideia é simples: criar o maior dia da história do heavy metal em homenagem à banda que começou tudo.”
Afirmou Tom Morello (Rage Against the Machine), diretor musical do evento, à revista Metal Hammer.
A abertura ficou por conta do grupo norte-americano Mastodon, seguido por Anthrax, Halestorm, Lamb of God e outras atrações. O show do Black Sabbath encerrou o festival como momento mais aguardado.
Nos bastidores, uma foto de Ozzy ao lado de lendas como James Hetfield (Metallica), Steven Tyler (Aerosmith) e Billy Corgan (Smashing Pumpkins) viralizou nas redes sociais, simbolizando a importância do evento para a história da música.
Para muitos fãs, a despedida foi marcada por emoção e nostalgia. O professor londrino Runo Gokdemir contou à Reuters que vendeu seu carro por 400 libras (cerca de R$ 3 mil) para comprar o ingresso. “Amo muito o Ozzy. Ele me ajudou a passar por momentos difíceis na adolescência”, revelou.
A homenagem também se estendeu pelas ruas de Birmingham, onde murais, faixas e intervenções urbanas celebraram o legado da banda. Lisa Meyer, curadora da exposição Black Sabbath – Home of Metal, destacou a importância do grupo na contracultura britânica: “Eles deram voz à raiva e à frustração de uma geração, com um som pesado e catártico, em contraste com o otimismo dos anos 60”.
O show marca não apenas o fim das turnês para Ozzy, mas também sela um ciclo na história do rock, encerrando com dignidade e reverência a trajetória de uma das bandas mais influentes de todos os tempos.


