Estatal deixa para trás período iniciado com a privatização da Liquigás em 2019; presidente Lula já havia criticado preço alto ao consumidor
A Petrobras anunciou que voltará a atuar diretamente na distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido como gás de cozinha. A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração da estatal quase seis anos após a privatização da Liquigás, que ocorreu em 2019 e foi concluída em 2020.
Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira (7), a companhia informou que a nova diretriz prevê “atuar na distribuição de GLP”, sem detalhar o modelo de operação. Na prática, a medida abre caminho para que a Petrobras volte a vender o produto diretamente ao consumidor, algo que não acontece há mais de cinco anos.
A estatal destacou ainda que pretende integrar a nova área aos demais negócios no Brasil e no exterior, além de oferecer soluções de baixo carbono aos clientes.

Histórico da Liquigás
Antes da privatização, a Petrobras operava na distribuição de gás de cozinha por meio da Liquigás, subsidiária responsável pelo engarrafamento, comercialização e entrega do produto em todo o país. Em 2019, a empresa foi vendida por cerca de R$ 4 bilhões a um consórcio formado por Copagaz, Itaúsa e Nacional Gás.
Preços e críticas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem criticado publicamente o preço do botijão. Em maio, afirmou que a Petrobras vende o gás às distribuidoras por cerca de R$ 37, mas o consumidor final chega a pagar até R$ 120. Segundo ele, quatro empresas concentram 90% da distribuição no país, o que ele atribui a um fator de encarecimento do produto.
Outras privatizações
Durante o governo Jair Bolsonaro, a Petrobras também deixou de atuar no mercado de combustíveis líquidos, com a venda do controle da BR Distribuidora em 2019. Hoje, a empresa se chama Vibra, embora muitos postos ainda mantenham a marca “Petrobras” ou “BR”.


