Operação mirou grupo acusado de desviar mais de R$ 1 bilhão de instituições financeiras por meio de ataques cibernéticos
A Polícia Federal prendeu, na sexta-feira (12/9), oito pessoas acusadas de integrar uma organização criminosa responsável por um dos maiores ataques hackers já registrados contra o sistema financeiro brasileiro. O grupo teria desviado mais de R$ 1 bilhão por meio de fraudes bancárias que exploraram falhas no sistema de pagamentos instantâneos (Pix).
As detenções ocorreram em flagrante e foram convertidas em prisão preventiva. Os investigados responderão por crimes de organização criminosa e tentativa de furto qualificado por meios eletrônicos. Segundo a PF, os suspeitos utilizavam vulnerabilidades técnicas para acessar indevidamente contas PI do Banco Central, canal de liquidação usado pelas instituições financeiras.
Invasão em empresa de tecnologia
O caso veio à tona em julho, quando criminosos invadiram os sistemas da C&M Software, empresa que presta serviços a bancos e instituições de pagamento no Brasil. As investigações apontam que, apenas da BMP Instituição de Pagamento, foram desviados cerca de R$ 541 milhões.
Um dos suspeitos, João Nazareno Roque, de 48 anos, funcionário da própria C&M, foi preso acusado de colaborar com os hackers. Ele confessou ter fornecido logins e senhas em troca de pagamentos que somaram R$ 15 mil. Roque também revelou que recebia instruções para as fraudes por meio da plataforma Notion e executava comandos no sistema da empresa desde maio.
Investigações continuam
A Polícia Federal segue com as apurações para identificar outros integrantes da quadrilha e rastrear o destino dos valores desviados. O Banco Central, por sua vez, já anunciou medidas emergenciais para reforçar a segurança do Pix, incluindo restrições em transferências e monitoramento mais rigoroso de transações suspeitas.


