O preço do café deve apresentar queda a partir do segundo semestre de 2026, segundo análise divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda. A projeção considera principalmente a safra recorde prevista no Brasil e o aumento da produção em importantes países exportadores, como Vietnã, Indonésia e Colômbia.
De acordo com a pasta, o cenário deve pressionar os preços tanto no atacado quanto no varejo, refletindo gradualmente nas prateleiras dos supermercados.
Oferta global maior pressiona preços
Entre os principais fatores apontados pelo governo está a recomposição da oferta mundial.
O aumento da produção nos principais países exportadores tende a recompor estoques globais, que vinham operando em níveis historicamente baixos.
Com mais produto disponível no mercado internacional, a tendência é de acomodação nos preços.
Outro ponto decisivo é a concentração da colheita brasileira no segundo semestre, período em que tradicionalmente há maior volume de café disponível.
O impacto mais perceptível ao consumidor deve ocorrer na segunda metade do ano, quando a colheita atinge seu pico.
Câmbio mais estável ajuda no cenário
A estabilização do câmbio também é apontada como elemento relevante. Com o real menos depreciado frente ao dólar, a pressão sobre os preços internos diminui.
A redução da chamada “dolarização” do café afasta riscos de desabastecimento e novos picos inflacionários.
Esse movimento contribui para criar um ambiente mais favorável ao controle da inflação.
Impacto na inflação e no PIB
O Ministério da Fazenda estima que o IPCA, índice oficial de inflação do país ,recue de 4,3% em 2025 para 3,6% em 2026.
Dentro desse cenário, o café pode exercer papel relevante.
Há possibilidade concreta de deflação do item ao longo do ano, colaborando para desacelerar o índice geral de preços.
Além disso, a elevada produtividade do grão deve fortalecer o desempenho do agronegócio, ajudando a sustentar o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do setor, mesmo com expectativa de expansão mais moderada em comparação ao ano anterior.
Fatores que podem limitar a queda
Apesar das projeções otimistas, a Secretaria de Política Econômica alerta para dois pontos de atenção.
O primeiro é o custo de produção. O aumento recente no preço dos fertilizantes pode reduzir a margem dos produtores.
Custos mais elevados podem frear repasses mais expressivos ao consumidor final.
O segundo fator é a dinâmica da cadeia produtiva.
A queda no preço no campo não é imediatamente refletida nas prateleiras, ocorrendo de forma gradual ao longo da cadeia de distribuição.
Alívio pode ser gradual
Especialistas avaliam que, caso as projeções se confirmem, o consumidor deverá perceber redução nos preços de maneira progressiva ao longo do segundo semestre.
A combinação entre maior oferta global, safra robusta e câmbio mais estável cria um cenário favorável para a queda do café, item tradicional na mesa dos brasileiros e com peso relevante na composição da inflação.


