Cabotegravir promete maior eficácia e adesão ao tratamento preventivo com aplicação bimestral
O Brasil passa a contar, a partir desta semana, com uma nova ferramenta no combate ao HIV. A farmacêutica GSK lançou no mercado privado o cabotegravir injetável, primeiro medicamento de longa ação aprovado no país para a profilaxia pré-exposição (PrEP). Conhecido comercialmente como Apretude, o fármaco deve ser aplicado a cada dois meses e já está disponível em farmácias credenciadas pela distribuidora Oncoprod.
Apesar da novidade, o medicamento ainda não integra o Sistema Único de Saúde (SUS), que atualmente oferece apenas a versão oral da PrEP. O preço de tabela é de cerca de R$ 4 mil por dose.
Como funciona
Aprovado pela Anvisa em 2023, o cabotegravir pertence à classe dos inibidores da integrase. Sua ação bloqueia a integração do DNA do HIV nas células humanas, etapa fundamental para que o vírus se multiplique. Dessa forma, impede que a infecção se instale no organismo.
O uso é exclusivamente preventivo e indicado para pessoas sexualmente ativas, a partir dos 15 anos de idade e com mais de 35 quilos, que se considerem em risco aumentado de exposição ao HIV. Para iniciar o tratamento, é obrigatório apresentar teste negativo para o vírus realizado até sete dias antes da aplicação.
A injeção é aplicada por via intramuscular e deve ser administrada por profissional de saúde ou pessoa treinada. Assim como a PrEP oral, seu uso deve ser combinado com outras medidas de prevenção, como preservativos.
Diferença para a PrEP oral
O SUS distribui gratuitamente comprimidos diários de PrEP, que já demonstraram alta eficácia. A principal vantagem da versão injetável está na adesão: ao reduzir a necessidade de lembrar de tomar o remédio todos os dias, a aplicação bimestral mostrou melhores resultados em estudos clínicos.
Pesquisas internacionais e brasileiras confirmaram essa eficácia. O estudo ImPrEP CAB Brasil, conduzido pela Fiocruz com 1.447 participantes, não registrou nenhum caso de infecção entre os usuários do cabotegravir. No grupo que seguiu a versão oral, houve dez diagnósticos de HIV no mesmo período. A taxa de adesão foi de 95% na injetável, contra 58% na oral.
Perspectiva para o SUS
Mais de 130 mil pessoas já utilizam a PrEP oral no Brasil. No entanto, muitos abandonam o tratamento devido a estigmas, dificuldades de rotina ou esquecimentos. Por isso, especialistas defendem a inclusão do cabotegravir no SUS como forma de ampliar a prevenção.
O tema está em análise na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), mas ainda não há previsão de decisão. Segundo estimativas da GSK, a adoção da PrEP injetável poderia evitar 385 mil novos casos de HIV em dez anos, gerando uma economia de R$ 14 bilhões em custos de tratamento.
Novas alternativas no horizonte
Além do cabotegravir, outras opções de PrEP de longa ação estão em desenvolvimento. Entre elas, o lenacapavir, da farmacêutica Gilead Sciences, que pode oferecer proteção contra o HIV por até seis meses com uma única aplicação. Em testes, o antiviral foi capaz de proteger 100% das mulheres que o utilizaram.
Enquanto o SUS avalia sua incorporação, o lançamento do Apretude marca um avanço importante na estratégia de prevenção ao HIV no Brasil, reforçando o papel da ciência na luta contra a epidemia.


