Cerca de 40% dos casos de câncer registrados no mundo poderiam ser evitados, segundo um relatório divulgado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O estudo identifica fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo de álcool, infecções, poluição e exposição excessiva ao sol, como responsáveis por uma parcela significativa dos diagnósticos da doença.
De acordo com o levantamento, embora parte dos cânceres esteja associada a fatores inevitáveis, como o envelhecimento e o acúmulo natural de danos no DNA, há uma proporção expressiva de casos diretamente relacionada a hábitos e condições ambientais passíveis de prevenção.
Principais fatores de risco
O tabagismo aparece como o principal fator isolado de risco, sendo responsável por mais de 15% dos casos evitáveis de câncer. Em seguida, estão as infecções, com destaque para o HPV, as hepatites B e C, além do consumo de álcool, que juntos representam parcela significativa dos diagnósticos preveníveis.
O relatório também aponta 30 fatores de risco modificáveis, incluindo exposição à radiação ultravioleta, poluição do ar e hábitos alimentares inadequados.
Tipos de câncer mais preveníveis
Os pesquisadores analisaram 26 tipos diferentes de câncer e identificaram que metade dos casos evitáveis se concentra em apenas três tipos:
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Câncer de pulmão
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Câncer de estômago
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Câncer do colo do útero
Esses tipos estão fortemente associados a fatores de risco conhecidos, como o uso do tabaco, infecções e ausência de vacinação ou rastreamento adequado.
Diferenças entre homens e mulheres
O estudo avaliou 18,7 milhões de casos de câncer em 185 países, com dados referentes a 2022. Os resultados mostram que a proporção de casos evitáveis varia entre homens e mulheres.
Entre as mulheres, aproximadamente 30% dos casos poderiam ser prevenidos. Já entre os homens, esse percentual ultrapassa 45%, especialmente em países onde o tabagismo permanece elevado.
Em 126 países, o tabaco é o principal responsável pelos casos evitáveis em homens. Entre as mulheres, as infecções lideram como principal causa em 141 países, enquanto o tabagismo feminino se destaca em regiões como Europa, América do Norte e Australásia.
Impacto na mortalidade
Segundo a OMS, em 2022, cerca de 44% das mortes por câncer no mundo estiveram associadas a fatores de risco preveníveis. Apesar de mudanças comportamentais dependerem de decisões individuais, o relatório destaca que políticas públicas eficazes têm papel fundamental na redução desses números.
Entre as estratégias apontadas estão campanhas antitabagismo, vacinação contra o HPV, redução da poluição ambiental, regulação do consumo de álcool e promoção de hábitos saudáveis.
Importância das políticas de prevenção
Especialistas destacam que esta é a primeira análise global a quantificar de forma abrangente o impacto dos fatores preveníveis no risco de câncer. O objetivo é orientar governos e sistemas de saúde na formulação de políticas mais eficazes.
Os resultados completos do estudo foram publicados na revista científica Nature Medicine.


