As forças russas continuam avançando em diversos pontos da linha de frente na Ucrânia, mesmo após um novo apelo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por um cessar-fogo. O líder americano pediu que “ambos os lados parem onde estão”, após se reunir com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Washington, D.C.
Apesar disso, Moscou segue determinada a ampliar seu controle territorial antes da chegada do inverno. Segundo o exército ucraniano, a Rússia lançou, em apenas uma semana, 3.270 drones de ataque, 1.370 bombas aéreas guiadas e cerca de 50 mísseis de diferentes tipos contra o país.
As bombas de até 1.500 kg de explosivos têm atingido tropas e infraestrutura ucraniana próximas às frentes de combate. Os bombardeios noturnos com drones e mísseis também aumentaram, principalmente contra alvos do setor energético. Em setembro, mais de 180 drones eram lançados por noite, e entre 20% e 30% ainda escapam da interceptação.
Especialistas apontam que o Kremlin aperfeiçoou sua estratégia militar, combinando novas tecnologias e maior autonomia aos comandantes. “Moscou transformou o uso de drones em uma área de força e construiu sistemas de ataque mais eficientes”, explica Dara Massicot, analista de assuntos russos da Foreign Affairs.
Na região de Kharkiv, a cidade de Kupiansk é uma das mais pressionadas, com combates intensos relatados inclusive no centro urbano. Já em Donetsk, os enfrentamentos continuam em torno de Pokrovsk, onde a Ucrânia afirma ter recuperado cerca de 180 km² nos últimos meses, apesar de perdas significativas.
De acordo com o Centro Belfer, da Universidade Harvard, a Rússia conquistou 300 km² de território nas últimas quatro semanas, metade do avanço obtido no mês anterior. No entanto, os custos humanos são elevados: mais de 250 mil soldados russos teriam morrido desde o início da guerra, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Com as baixas crescentes, Moscou tem reduzido os bônus oferecidos a novos recrutas, o que pode levar o governo a recorrer à mobilização de reservistas para manter as operações.
Enquanto isso, a Ucrânia tenta pressionar a Rússia por meio de ataques a alvos estratégicos de energia e combustível. O país intensificou a produção de mísseis de cruzeiro e, segundo seu comando militar, atingiu 45 instalações russas desde o início do ano, afetando cerca de um quinto da capacidade de refino da Rússia.
Mesmo diante das perdas e dos danos econômicos, o presidente russo, Vladimir Putin, não demonstrou disposição para negociar. Mais de 1.300 dias após o início da invasão em larga escala, o conflito segue sem perspectiva de fim: a Ucrânia não consegue neutralizar a máquina de guerra russa, e Moscou ainda não obteve vitória decisiva no campo de batalha.


