O avanço acelerado dos jogos e apostas online no Brasil tem provocado impactos expressivos na saúde e no orçamento das famílias. Diante desse cenário, os ministérios da Saúde e da Fazenda anunciaram um conjunto de ações para prevenir a dependência e ampliar o cuidado às pessoas afetadas pelo vício.
A principal iniciativa é o lançamento de uma plataforma nacional de autoexclusão, prevista para entrar em operação no dia 10 de dezembro. Pelo sistema, qualquer pessoa poderá solicitar o bloqueio do próprio CPF em sites de apostas, impedindo novos cadastros e o recebimento de publicidade do setor. Segundo o governo, os prejuízos econômicos e sociais causados pelo vício em jogos somam R$ 38,8 bilhões por ano.
O pacote inclui também a criação do Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que reunirá dados, acompanhará tendências e ajudará a identificar comportamentos de risco. A partir dessas informações, o objetivo é conectar jogadores vulneráveis aos serviços do SUS e ampliar o acesso a apoio psicológico e orientação por meio do Meu SUS Digital e da Ouvidoria do SUS.
O Ministério da Saúde apresentou ainda uma linha de cuidado específica para dependência em jogos, que começa a funcionar em fevereiro de 2026. A estratégia prevê 450 teleatendimentos mensais, realizados em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, com possibilidade de encaminhamento para atendimento presencial quando necessário.
O governo reforça que o setor de apostas passa a operar sob regras mais rígidas: menores de idade, beneficiários do Bolsa Família e do BPC estão proibidos de usar o CPF para jogar. Dados do SUS mostram o crescimento dos atendimentos por dependência: foram 2.262 casos em 2023, 3.490 em 2024 e quase 2 mil apenas no primeiro semestre de 2025, a maioria envolvendo homens jovens em situação de vulnerabilidade social.


